Município de Tarouca

Tarouca é uma cidade Portuguesa localizada na Beira-Alta, distrito de Viseu, junto à zona de transição entre as Beiras e o Alto Douro vinhateiro. É sede de um município com o mesmo nome, integrado numa região vitivinícola de excelência, onde proliferam castas nobres que dão lugar a vinhos de qualidade, alguns deles com a designação VQPRD (Vinho de Qualidade Produzido em Região Determinada) e onde “borbulham” os espumantes Murganheira. O território é atravessado pelo Rio Varosa, um rio de salmonídeos e de grande importância para a agricultura, bem como para a economia local. Conhecer o seu município é mergulhar na riqueza de um povo com património religioso, monumental e arquitetónico, invejável!… Como pontos de referência mais conhecidos existe a cidade de Lamego a 13km no sentido norte, e a cidade da Régua a 25km no mesmo sentido.

Um pouco do que pode visitar…

O município de Tarouca tem a particularidade cativar o visitante sem deixar defraudadas as suas expectativas. Ao visitar este município a que chamam de Vale Encantado, terá oportunidade de conhecer numerosos vestígios do seu passado, tais como:

  • Pontes medievais, entre elas uma ponte romana onde em tempos longínquos existiram portagens para efetuar a sua travessia.
  • Aldeias históricas, uma das quais outrora constituída por uma única rua, terá sido sede de um município agora extinto.
  • O Rio Varosa, que atravessa o município, um rio de salmonídeos com duas nascentes que descem a serra em sentidos opostos e se vão juntar centenas de metros mais abaixo.
  • Igrejas monumentais e ruínas de mosteiros de elevado valor patrimonial, e histórico.
  • Obras de arte e documentos históricos que atestam a sua importância através dos tempos, desde antes da fundação de Portugal.
  • Praias fluviais, cascatas e canais de água, por aqui chamados de “Levadas” ou “Açudes”, e muito mais!…

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Conteúdos deste artigo

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  • Daqui em diante irá encontrar ambos os termos, ora município ora concelho, consoante o contexto em que se inserem.

História

Tarouca data de uma época em que de Portugal nem o nome existia. A história desta cidade, como de todo o concelho, não deixa dúvidas quanto à sua importância no contexto regional e mesmo nacional. O início da nacionalidade está intimamente ligado a Tarouca, quer pelo nosso primeiro rei, cuja figura está associada à construção do Mosteiro de S. João de Tarouca, quer ainda por Egas Moniz, que foi Senhor da Honra de Dalvares e cuja esposa, Dona Teresa Afonso, mandou erigir o Convento de Santa Maria de Salzedas. Paio Cortês, monteiro-mor de D. Afonso Henriques, foi Senhor da Honra de Gouviães, e todas estas localidades, (S. João de Tarouca, Dalvares, Salzedas e Gouviães) são localidades que pertencem a este município. Tarouca conhece o seu primeiro foral em 1262, concedido por D. Afonso III com o nome “Castro Rei”, visando incrementar o seu povoamento.

Mosteiros de S. João de Tarouca e de Santa Maria de Salzedas, respetivamente.

Com a extinção das ordens religiosas em 1834, os mosteiros de S. João de Tarouca e de Santa Maria de Salzedas acabaram sendo dissolvidos. Nesse mesmo ano o concelho de Várzea da Serra foi suprimido e, em 1836, a pedido do clero, da nobreza e do povo ( situação invulgar tendo em conta a concordância entre todos) deu-se a extinção do concelho de Ucanha, passando a incorporar-se no concelho de Mondim da Beira. Hoje nenhum deles existe, ambas as localidades pertencem ao concelho de Tarouca. Em 1896 os concelhos de Tarouca e de Mondim da Beira foram extintos. Dois anos volvidos deu-se a restauração do concelho de Tarouca, composto agora por 10 freguesias, incluindo a freguesia de Mondim da Beira que passava agora para a alçada deste concelho, onde continua na atualidade.

A 9 de Dezembro de 2004 a Vila de Tarouca foi elevada a Cidade, e em 2013, com a Reorganização Administrativa do Território, o Concelho de Tarouca passou a ser constituído por sete freguesias. Foram agrupadas Ucanha com Gouviães; Granja Nova com Vila Chã da Beira; e Tarouca com Dalvares.

População e sua subsistência

O município de Tarouca tem atualmente como principais culturas a vinha, a fruta, a produção de azeite e a baga de sabugueiro. Nos cereais de seco destaca-se o centeio, e num patamar mais baixo o trigo. Outro cereal é o milho, cultivado apenas em campos irrigados junto às margens do rio, em alguns casos nos chamados “Lameiros”, um tipo de terreno onde a abundância de água é maior, e onde neste caso é cultivado em rotatividade com uma espécie gramínea: o feno, que em algumas localidades é conhecido por “erva da beira”. As restantes culturas são essencialmente culturas de subsistência, entre elas feijão, batata, hortaliças…, etc.

O interior de Portugal, cada vez mais desertificado, tem mantido constante emigração mesmo após as décadas de 50, 60 e 70, que ficaram marcadas para a história com o maior êxodo da população portuguesa emigrada para o estrangeiro. Os anos passaram, mas pelo interior a emigração continua. Segundo os censos de 2011, a população deste concelho contabilizava 8048 habitantes, embora se estime que só na Suíça se encontrem emigrados cerca de 3000 Tarouquenses, e a restante emigração dividida pelos outros países europeus.

Presença do granito – rua em Mondim da Beira

Nas zonas mais montanhosas as árvores dominantes são o castanheiro, o carvalho e o pinhal, com a população mais concentrada nos povoados, enquanto que nas zonas mais baixas a população encontra-se mais dispersa ao longo das vias de comunicação, com a arborização por aqui mais composta por árvores de fruto, principalmente macieiras, pereiras e cerejeiras, estas ultimas em quantidade inferior. Nas localidades mais elevadas também é possível encontrar-se alguma criação de gado, embora em pequenas quantidades. Um dos destaques deste município vai também para beleza das suas paisagens.

Igreja antiga de Várzea da Serra

Clima habitual desta região

Por aqui os Invernos são rigorosos, habitualmente com formação de neve nas zonas mais elevadas e formação de geada em todo o concelho, algumas vezes tão forte que chega a parecer neve, gelando qualquer charco de água que exista na rua e danificando por completo a horta que ainda existe. Em oposição os verões costumam ser de calor intenso…, algumas vezes abrasador, assim o diz a população local. No verão é hábito a lavoura iniciar pelas 6h da manhã, regressando a casa por volta das 10 h (pouco mais ou menos), devido à temperatura elevada que a essa hora já se faz sentir, retomando posteriormente a partir das quatro da tarde.

Economia e emprego

No município de Tarouca a construção civil tem estado em crescimento, consequência possível da melhoria dos meios financeiros resultantes da emigração, (dinheiros vindos da Suíça, por ex.) mas também devido a algum desenvolvimento que a câmara local tem conseguido impor, o que leva alguns dos seus habitantes a fixarem-se por aqui, sendo a construção civil, atualmente, uma das principais fontes de emprego. De seguida vem a agricultura nas áreas em que a produção se destina ao comércio, principalmente o cultivo da vinha e árvores de fruto, e logo depois pequenas industrias, tais como serralharias, marcenarias, pecuárias, industria de transformação de carnes,… e por ultimo o turismo, que por aqui tem estado a ganhar relevo.

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Principais pontos de visita no município de Tarouca

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Santuário da Santa Helena (serra)

Comece por subir a Serra de Sta. Helena até chegar ao seu ponto mais elevado, o santuário. Aqui do alto, obtém uma vista surpreendente sobre quase todo o concelho. Este é um local que pode dizer-se de “passagem obrigatória”. Para a sua esquerda avista-se também uma pequena parte de território pertencente ao concelho de Lamego, e não só… Não muito longe daqui, na descida do santuário, existe um parque de merendas onde pode lanchar e obter alguns momentos de repouso.

Várzea da Serra

É no planalto onde se encontra esta população que o rio Varosa tem as suas nascentes. Aqui perto da aldeia nasce o seu irmão, o Varosela, e não muito longe daqui, o Varosa. Correm ambos em sentidos opostos, descendo a serra, alimentando levadas, irrigando campos e movendo moinhos em quase todas as freguesias, até se fundirem um no outro alguns metros antes da “Ponte Nova” na estrada nacional N226. Para a população local, uma ou outra nascente são sempre denominadas por um único nome, o Rio Varosa.

Próximo da nascente do Varosela existe uma praia fluvial onde pode desfrutar da pureza serrana e das suas águas cristalinas. Uma zona de restauração e algumas habitações germinadas, a que deram o nome de “bungalows”, completam este espaço de lazer. Várzea da Serra encontra-se numa zona rodeada pelos cumes da serra que a protegem dos ventos mais frios de Inverno. É uma aldeia de beleza natural encantadora, onde ainda se pode ver muito do que foi o seu passado. As ruas ladeadas por edificações em pedra, as ruínas dos espigueiros, o Pelourinho, a igreja antiga ao fundo da aldeia, as capuchas de burel que as serranas usam no Inverno…, fazem desta uma aldeia serrana antiga e com história.

Segundo um habitante local, os espigueiros que se avistam por aqui podiam ser de vários proprietários, embora não fosse assim em todos eles. Cada um tinha o seu espaço, que normalmente ia de um pilar ao outro (pilares que sustentam o telhado). Esta população, outrora a mais rica do município, hoje encontra-se um pouco desertificada, tal como as restantes. A ausência de emprego por estas bandas levou muitos dos seus habitantes a emigrar…, ou a migrar, para o estrangeiro, para o litoral e para as grandes cidades,… principalmente os mais jovens.

De entre outros acontecimentos que fazem parte da sua história, no século XVIII, no mesmo século em que deixou de ser sede de concelho constituído unicamente pela própria freguesia, à semelhança por ex. de Vila da Ponte, Várzea da Serra teve de travar uma luta da qual saiu vencedora, contra senhores poderosos que queriam cobiçar os seus montados, os quais ainda hoje são um fator importante da sua riqueza. Extinta a sua Beetria e sem senhor a defender a vila, Várzea da Serra debateu-se sozinha, mas saiu vencedora.

Igreja matriz de Várzea da Serra

Vilarinho

Retome a estrada, agora com destino a S. João de Tarouca, passando pelas localidades de Teixelo e Vilarinho. Além da paisagem, pelo caminho poderá visitar a capelinha de N. Senhora de Fátima mandada erguer por emigrantes da terra, e novamente apreciar a vista que se vê a partir daqui.

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S. João de Tarouca

O mosteiro aqui existente, com o mesmo nome da população, será provavelmente um dos pontos mais altos deste roteiro. Com inicio da construção em 1140, este é o primeiro mosteiro construído em Portugal à ordem de Cister, conhecido por Mosteiro de S. João de Tarouca. Após extinção das ordens religiosas o convento entrou em decadência e posteriormente degradação progressiva, salvando-se da ruína apenas a igreja conventual, onde ainda hoje se celebra a Eucaristia dominical.

Dentro do mosteiro o destaque vai para os cadeirais; a pintura de D. Pedro I pintada por Gaspar Vaz, (um discípulo de Grão Vasco); o órgão de tubos; os painéis de azulejo dos séculos XVII e XVIII no altar,… e outros mais… Neste mosteiro existe guia turístico que lhe dará mais pormenores sobre este monumento e sua história.

Pintura de D. Pedro I

A cerca de duas centenas de metros daqui existe uma ponte romana. Recomendo estacionar por aqui e seguir a pé, é uma caminhada pequena, mas agradável. Pelo caminho encontra uma fonte de nascente onde se poderá refrescar. Dada a sua relevância monumental, este é um dos quatro lugares escolhidos pelo município para carimbar o Passaporte D’ouro, um excelente contributo para o ajudar a conhecer melhor a região demarcada do Douro Vinhateiro. Aqui mesmo, junto ao largo, existe a Casa da Portaria, uma casa de alojamento rural onde se poderá instalar enquanto percorre este roteiro, e outras zonas que sejam do seu agrado.

Mondim da Beira

Retome a estrada, agora mais horizontal, e siga no sentido de Mondim da Beira. Esta é uma das freguesias que outrora foi sede de um concelho, (extinto em 1896). Num dos extremos desta população, numa zona de construções antigas e junto a uma ponte romana, existe uma praia fluvial que é um espaço de referência neste município.

Este espaço, envolto em história, encontra-se enquadrado numa área verdejante, onde predominam amieiros e freixos, e também moinhos ao longo das margens do rio. Esta ponte, que fazia parte de um caminho secular medieval, encontra-se bem preservada e continua a permitir a travessia do rio Varosa, o mesmo que viu anteriormente em S. João de Tarouca. Mais uma vez o românico por aqui presente.

Praia fluvial de Mondim da Beira

Ucanha, com passagem por Dalvares

Dalvares

Coloque agora no GPS a localidade de Ucanha. Pelo caminho irá encontrar um cruzamento a partir do qual pode seguir até Granja Nova, outra localidade de onde pode avistar grande parte deste “vale encantado”, mas não muito mais do que isso. A continuidade dessa estrada (N226) conduzi-lo-á até aos concelhos de Moimenta da Beira, Sernancelhe…, etc. Seguindo este roteiro, nesse cruzamento deve virar à esquerda e cerca de 2 km mais abaixo, virar à direita (imediatamente antes de atravessar o rio). Após largar a estrada anterior, poderá olhar para a sua esquerda e ver o Rio Varosa já no seu todo, uniu-se ao seu “irmão” Varosela duas ou três centenas de metros mais atrás.

Pode ver ainda do outro lado do rio a localidade de Dalvares, população do concelho de Tarouca onde se cultivava a maior quantidade de baga de sabugueiro, um produto de boa rentabilidade agrícola e todo ele exportado. Era por vezes apelidado de “ouro negro”, tanto pela cor do produto, como pela cor das mãos dos produtores durante a apanha. Vale a pena visitar esta região na altura da flor do sabugueiro e ver as árvores carregadas de um manto verde e branco, que posteriormente muda para negro, altura em que a baga atinge a maturidade. Aqui em Dalvares é outro dos locais onde pode carimbar o Passaporte D’ouro, junto à casa do paço, atualmente transformada em museu do espumante.

Baga de Sabugueiro – floração e amadurecimento.

Ucanha

Ucanha, uma aldeia histórica e vinhateira, era constituída por uma única rua até o povoado começar a estender-se para os lados da sua artéria principal. Esta rua foi outrora parte de um caminho medieval por onde circulavam pessoas e bens entre Moimenta da Beira e a cidade de Lamego, fazendo a travessia do Varosa na ponte que se encontra no enfiamento desta rua, subindo a encosta oposta em direção a Lamego por uma calçada romana, hoje pouco preservada ou quase inexistente.

Aqui encontra um monumento único no país com esta composição, uma ponte romana que data do século VIII, associada a uma torre do século XII existente na margem direita. Consta-se que em tempos esta torre teve grande utilidade no pagamento de portagens. Já sobre as datas de edificação de ambas existem algumas divergências face ao que é conhecido, as informações não são fidedignas. Acredita-se que a construção desta ponte tenha surgido na sequência de uma outra que existiu no local, de origem romana.

Atualmente, a montante desta ponte, Ucanha conta também com uma praia fluvial, recentemente requalificada, junto à ponte rodoviária construída em substituição desta, avistando-se ambas mutuamente.

Se no seu calendário tiver alguma margem de tempo, pode subir a rua histórica e ver a fachada das suas casas que conservam a linha tradicional de outros tempos, é uma subida acentuada que deve fazer com calma, mas recompensada pela vista. Alguns metros acima encontra a Igreja matriz desta localidade. Destaque para o seu altar em talha dourada que justifica uma visita.

Se pretende alojamento por aqui recomendo-lhe a Quinta da Vinha Morta, um espaço de turismo rural, acolhedor e sossegado. Para isso basta subir a estrada até Gouviães,…

Caves do champagne Murganheira

De volta à estrada, seguimos agora em direção a Salzedas. Pelo caminho vá contemplando a vista, o rio Varosa continua à sua esquerda, lá ao fundo. Cerca de mil metros mais à frente pode e deve fazer de novo outra paragem, desta vez para visitar as Caves da Murganheira, onde são produzidos os espumantes com o mesmo nome: -Murganheira. Também se produzem aqui vinhos de mesa, embora em quantidade reduzida quando comparado aos espumantes. Mediante contacto prévio, é possível fazer uma visita guiada às instalações e conhecer a “gruta” onde se dá o processo de vinificação do espumante, escavada na encosta granítica pela mão do homem.

Olhando daqui em direção ao rio avista o Douro Cister Hotel Resort, um espaço com qualidade de excelência para um fim-de-semana relaxante…, para se instalar sempre que decida visitar esta zona.

Salzedas

Continuando este roteiro, alguns metros mais à frente irá largar a vista sobre o vale do Varosa para chegar a Salzedas. Nesta aldeia também vinhateira, existe um dos monumentos mais importantes deste município que sobressai no meio do casario, o mosteiro de Sta. Maria de Salzedas, cuja construção teve inicio em 1168, um mosteiro intimamente ligado à figura de Teresa Afonso, esposa de Egas Moniz. Com extinção das ordens religiosas a Igreja conventual foi convertida em Igreja paroquial, onde atualmente se realiza a Eucaristia dominical, tal como em S. João de Tarouca. De realçar a frontaria majestosa desta igreja, ou deste mosteiro, condizente com o seu conteúdo interior…

A integração em 2009 no Projeto Vale do Varosa, juntamente com o Mosteiro de São João de Tarouca e o Convento de Santo António de Ferreirim, possibilitou a abertura deste espaço ao público, desde 2011, onde é possível visitar o núcleo museológico e a exposição “Fragmentos. Expressões da Arte Religiosa do Mosteiro de Santa Maria de Salzedas”. Este mosteiro, juntamente com o mosteiro de S. João de Tarouca, são os mais visitados na região do Douro e do vale do Varosa.

Gaste alguns minutos a vaguear por aqui. Em frente ao mosteiro, na zona onde se encontra indicada a direção que deve seguir com destino a Murganheira, existe o Bairro do Quelho, que para muitos terá sido uma antiga Judiaria, embora esta última possibilidade seja muito remota, (não é conhecida a presença Judaica na aldeia).

Cascata do Poço do Cavalo (cascata do Varosa)

Continuando este “roteiro” irá passar por Murganheira e de seguida Vila Pouca. Ao longo do percurso volta a avistar o vale por onde corre o Rio Varosa, continuando igualmente a ser agraciado pela paisagem envolvente. Após passar Vila Pouca tenha prudência na condução, esperam-no uma descida acentuada e curvas apertadas. Lá ao fundo, estacione a seguir à ponte e caminhe um pouco no sentido ascendente (a montante) pela margem esquerda do rio, é um percurso sinuoso e agreste, recomenda-se calçado aderente. A zona onde se encontra esta cascata é habitualmente frequentada pela juventude local para uns mergulhos refrescantes.

Após encontrar a cascata, alguns metros mais acima encontra também uma ponte romana, que ao longo da sua existência apenas teve como transito carroças, carros de bois e travessias pedestres, (caminho de moleiros e almocreves). Para chegar até à ponte, o ideal será caminhar um pouco em sentido inverso na estrada que o trouxe até aqui, mas o percurso ainda é longo e cansativo. Se for atento, à saída de Vila Pouca encontra a cortada para a ponte, mas o ideal é perguntar na população, o carro não vai até lá.

Ponte romana sobre o Rio Varosa em Vila Pouca – Tarouca

Fotografia extraída do Google Maps. Autora – Marta Nascimento

Regresso à cidade de Tarouca

Daqui em diante o percurso ganha em velocidade, apesar da subida até à estrada nacional N226 (de novo a mesma estrada…). Nesta zona situa-se a fronteira entre os municípios de Tarouca e Lamego. Na subida irá passar pelo Turismo Rural e SPA da Quinta dos Padres Santos, um lugar onde pode relaxar e passar alguns dias em paz e harmonia com a natureza…, o lugar ideal para se instalar enquanto percorre esta região, e em Ferreirim poderá visitar o Mosteiro de santo António de Ferreirim, apesar deste já se situar no município vizinho.

O local onde se encontra o mosteiro era ponto de passagem de antigos comerciantes que vinham das proximidades de Viseu, desciam a localidade de Ucanha para aí atravessarem o rio Varosa, e continuarem em direção a Lamego.

Mosteiro de Santo António de Ferreirim

Fotografia extraída do Google Maps. Autor – Paulo Crepaldi

Um pouco mais acima de Ferreirim existem piscinas do Centro Cultural e Recreativo de Ferreirim, podendo ser um recurso para quem não goste do rio ou praias fluviais, e continuando a subir irá dar à estrada que o levará de novo à cidade de Tarouca, ou a Lamego, consoante seja a sua decisão. Caso decida seguir no sentido de Lamego, à entrada tem uma rotunda onde pode apanhar a autoestrada e ir até à cidade da Régua. Para não ter de passar em pórticos de portagem terá de sair logo na primeira saída, que diz Valdigem. Sair aqui é até mais vantajoso tendo em conta o cenário envolvente.

Alguns comentários sobre as piscinas do Centro Cultural e Recreativo de Ferreirim:

  • Piscina muito boa, com um restaurante com boa qualidade e preços acessíveis
  • Bom apoio de bar. Água da piscina de ótima qualidade.
  • Sítio ótimo boas vistas tem boa comida e bom ambiente espaço bom para verão com piscina
  • A piscina é espetacular. O ambiente geral agradável. Serviço de refeições qualidade/preço excelente.

Fonte dos comentários: guiaempresas.pt

Finalmente Tarouca, Quando visitar…?

À semelhança de outras localidades, visitar Tarouca e o seu município pode ser feito em qualquer altura do ano, no entanto existem algumas datas mais adequadas. Tarouca é um município de extremos, com verões quentes e secos, algumas vezes abrasadores ao ponto de não se conseguir pisar o chão descalço, devido ao calor elevado que se faz sentir, e invernos chuvosos e frios, capazes de gelar qualquer pequeno charco de água que exista nas ruas. Visitar este município no outono pode ser aliciante, as encostas matizadas de verde e amarelo torrado têm o seu esplendor.

No final do ano, mês de dezembro, é quando por aqui se faz a apanha da azeitona, recomendo prudência na condução, é natural que algumas vezes dê de caras com toldos estendidos na estrada que os residentes usam para mais fácil efetuarem a apanha da azeitona. No inverno não será a data mais indicada para apreciar os locais paradisíacos que o rio Varosa tem para oferecer, as chuvas da época dão origem a fortes correntes que tornam o rio um tanto assustador. Também existem as zonas serranas, como por exemplo Várzea da serra, onde nem sempre chega a derreter durante o dia a neve e o gelo que se formaram durante a noite.

Na opinião do autor deste blog, a primavera será eventualmente uma das melhores alturas, não apenas nesta região como em todas as regiões montanhosas do norte de Portugal. As linhas de água encontram se ativas e a correr em direção aos rios, as encostas estão verdejantes, e as primeiras flores silvestres começam a desabrochar. Tarouca não é exceção e, além das flores silvestres, em finais da primavera a flor do sabugueiro vem dar o ar da sua graça. Em oposição a outras zonas a sul, em que o calor do verão se torna demasiado desconfortável, por aqui o verão parece-me ser a melhor altura, não apenas pela possibilidade de desfrutar da qualidade das praias fluviais, mas por todo o conjunto de eventos que o município tem para oferecer ao longo do estio.

Aqui em Tarouca pode calcorrear um pouco para conhecer a cidade, visitar a igreja de S. Pedro, ver o casario a partir do adro, a fonte mesmo ali ao lado, subir a Alcácima e observar a vista panorâmica a partir do miradouro, ver a ornitologia (aves), ir até à zona ribeirinha e caminhar um pouco por lá à beira do Rio Varosela, o irmão gémeo do Varosa, e porque não uns mergulhos na piscina…? Alguns metros a montante desta zona existe uma ponte romana por onde outrora se transitava com destino a Tarouca.

Atualmente existe um percurso pedestre longo, denominado Caminho dos Monges, que percorre toda a rota do Varosa entre os municípios de Tarouca e Lamego, passando por paisagens deslumbrantes, ao longo do qual é possível descobrir o legado da Ordem de Cister deixado no Vale do Varosa. Se for do seu interesse peça informação no posto de turismo ou junto da Câmara Municipal. Se planeou a sua visita pernoitando por aqui, visite Ucanha à noite e veja o quão charmosa e romântica fica a sua artéria principal iluminada, mas tente chegar antes das 22 horas, porque a partir dessa hora parte do seu charme apaga-se.

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Outros lugares deste município que justificam visita

Localização

Tarouca fica localizada sensivelmente a meio entre Viseu e Vila Real, tendo Lamego como cidade conhecida mais próxima. Chegar ao município de Tarouca é fácil, pode apanhar a autoestrada A24 e sair em Lamego, seguindo depois para sul pela nacional N226, ou se preferir, e se já conhece a nacional N2, pode fazer em Lamego um desvio e seguir à mesma pela N226. Pode também apanhar a municipal M521 precisamente onde a N2 atravessa o Rio Balsemão, passando por Perafita, Lazarim e Lalim, até chegar à N226. O município de Tarouca é atravessado pelo Rio Varosa, e “cruzado sobre ele” pela nacional N226.

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Localidades incluídas nas freguesias do município

Reorganização Administrativa do Território elaborada em 2013

Ucanha

Gouviães; Valdevez; Eira Queimada

Mondim da Beira

Mondim de Baixo; Mondim de Cima; Almodafa

Granja Nova

Formilo; Vila Chã da Beira

Salzedas

Cortegada; Meixedo; Murganheira; Ponte da Azenha; Vila Pouca

S. João de Tarouca

Couto; Pinheiro; Vila Chã do Monte; Vilarinho

Tarouca

Dalvares; Arguedeira; Castanheiro do Ouro; Craváz; Esporões; Gondomar; Outeiro; Ponte das Tábuas; Quintela; Teixelo; Valverde e Vila Pouca

Várzea da Serra

Freguesia constituída apenas pela própria população (sozinha).


Veja aqui um artigo mais completo sobre Salzedas, Ucanha, e a história do espumante Murganheira.

Não muito longe daqui, no município de Sernancelhe, mais precisamente em Vila da Ponte, existem uns passadiços em volta do açude que se encontra nesta localidade. Veja um artigo sobre esses passadiços e o seu original Aracnídeo.


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Bem Haja…

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