PR2 Mondim de Basto – Levada do Piscaredo

Percorrer uma levada é caminhar ao longo de um canal de irrigação tradicional, onde a água que corre na levada ou no rio próximo que habitualmente lhe está associado, cria condições para a existência de espécies arbustivas e arbóreas, que por sua vez são o habitat de diversas espécies de seres vivos os quais apenas encontram condições de sobrevivência em bosques deste género, principalmente no que toca à avifauna.

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Conteúdos deste artigo

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O que é uma levada – Algumas informações

Uma levada é um canal de água, como o próprio nome indica, construído a serpentear a encosta num plano quase horizontal e destinado a levar a água de um local para outro. A quase totalidade das levadas tem origem numa represa existente no rio, outras tem origem nas vertentes das encostas serranas, captando a água que escorre serra abaixo e levando a mesma para locais onde é aproveitada, seja para mover moinhos, azenhas ou usada como força motriz para mover outros mecanismos, ou mais usualmente para irrigar as terras.

Por tudo o que a natureza oferece, percorrer uma levada é uma das formas de maior contacto com a natureza e havia já algum tempo que ambicionávamos calcorrear um percurso assim…, um dia iria chegar a hora. Sendo Mondim de Basto um município com algumas levadas, numa curta passagem por estas bandas tivemos a oportunidade de conhecer uma delas. Começamos pelo posto de turismo, onde nos foram dadas todas as informações necessárias e as quais acabaram por resultar em motivação extra.

A levada do Piscaredo remonta ao reinado de D. Afonso II, foi construída em terra batida no séc. XIII e reconstruída em granito com argamassa de cimento nos anos 60 e 61 do sé. XX, tal como a fomos encontrar na atualidade. Esta levada revestia-se de primordial importância para as populações locais ao criar condições de funcionamento a moinhos e irrigação de terras, com água proveniente dos rios Cabrão e Cabril, que se juntam numa represa nas proximidades do início da levada.

Ao longo do percurso, que serpenteia pela encosta de forma quase nivelada, existem algumas linhas de água que apenas correm no inverno e cujo projeto de reconstrução se encarregou de fazer o respetivo desvio, criando passagens de água superiores para proteger o caudal da levada e impedir que ela transbordasse nos dias mais invernosos, uma forma engenhosa de solucionar este problema.

Outrora nesta levada existiu também um “olheiro”, uma pessoa encarregue de olhar pela levada e repartir a água pelos regantes segundo um regulamento próprio, constante das posturas camarárias a partir do séc. XVIII. Esse regulamento proibia, por exemplo, o corte da água antes dos moinhos de Piscaredo e a obrigatoriedade de deixar seguir ribeiro abaixo um caudal equivalente à capacidade de uma telha cheia, telha de canudo, as que existiam na altura.

Apesar da grande maioria de todos os que percorreram esta levada dar como inicio da mesma o Açude das Mestras, em nossa opinião ela começa aproximadamente 300 metros mais acima, (340 metros, segundo informações no Visit Mondim de Basto), num outro açude, construído de forma a permitir que apenas entre na levada um caudal de água condizente com a sua capacidade.

Cordenadas deste local: 41.398196, -7.913041

Nós calcorreamos este trilho no sentido descendente, mas há quem diga que se torna mais interessante no sentido ascendente e nós acreditamos que sim, à medida que vai subindo a paisagem vai sendo mais aliciante, com mais sombras refrescantes e arborização mais propícia ao habitat de aves canoras agradáveis de ouvir no seio da natureza.

O trilho é fácil de percorrer e acompanha sempre a levada, nunca se afastando dela mais do que dois metros. Esta levada continua ativa e tem como principais pontos de interesse a arborização típica existente à beira dos rios e levadas no geral; a diversidade de aves e outros seres vivos que povoam este tipo de habitats; as poldras junto ao Açude das Mestras, e a paisagem.

Grelha para colocar quando necessário a reter lixo.

Este percurso é linear, é fácil e agradável de percorrer e encontra-se bem marcado. Dos 8,8 km de extensão indicada nos folhetos, cerca de 7 km são sempre ao lado da levada. Se for no sentido descendente, ao chegar aos moinhos do Piscaredo vá com atenção, nós acabamos por seguir um percurso errado que liga com esta levada, que nem por isso era menos agradável.

Se decidir percorrer este trilho no sentido ascendente, fale primeiro com um taxista e leve consigo o contacto dele, para posteriormente o contactar e evitar pesquisa virtual à procura de táxi, pode não conseguir rede para isso. À data deste post o custo do táxi andava entre os 8 e os 10€.

Descrição do percurso – informações úteis

Início/Fim do percurso: Açude das Mestras/Parque Urbano Municipal de Mondim de Basto.

Parque Urbano de Mondim de Basto – cordenadas: 41°24’36.6″N 7°57’25.2″W

Para iniciar no Açude das Mestras, deve apanhar um táxi até à Pedreira e posteriormente seguir a pé por uma estrada de terra batida, até ao lugar onde se encontra o Açude das Mestras. No Açude das Mestras atravesse o rio nas Poldras e percorra o restante da levada até ao açude que se encontra 340 metros a montante

Localidade de Pedreira, cordenadas: 41°24’04.2″N 7°54’00.5″W

O que levar consigo – recomendações

  • Mochila confortável pequena contendo apenas o indispensável.
  • Garrafa de água
  • Calçado e vestuário adequado para caminhar
  • Pequeno saco para trazer o seu lixo
  • Telemóvel para registo fotográfico ou outros afinidades para as quais ele é útil.

Ficha Técnica (sentido descendente)

  • Local: Mondim de Basto – Açude das Mestras
  • Tipo de percurso: Linear e sinalizado. Percurso ao longo de uma levada e caminhos rurais.
  • Extensão: 8,8 km
  • Tempo previsto: 2h30 a 3h
  • Nível de dificuldade: Baixa
  • Época do ano aconselhável: Primavera, Verão e Outono. Também pode ser percorrido no inverno, desde que vá devidamente equipado face à época e tome as devidas precauções para evitar surpresas desagradáveis.
Fim da levada. – Alguns metros antes dos moinhos do Piscaredo

Outros trilhos que lhe podem interessar

  • Também desafiante embora não tanto pela extensão, mas mais pelo desnível, são os Passadiços da Ribeira das Quelhas. Estamos a chegar a uma das estações do ano ideais para os percorrer, o outono.
Cascata do fim da levada. O PR2 continua até ao centro da vila

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