Aldeias de granito da Serra da Gralheira
Apesar do esforço na busca de informação sobre a história das aldeias de Rossão, Campo Benfeito e Codeçal, o resultado foi um pouco escasso, com ressalva para um contacto que efetuamos para o gabinete de turismo do município de Castro Daire ao qual estas aldeias pertencem, que nos permitiu conseguir algum conteúdo.
Na atualidade estas três aldeias pertencem à freguesia de Gosente, no entanto, Gosende, Campo Benfeito e Rossão, foram outrora sedes de município, extintos aquando um reordenamento do território, no mesmo ano em que foram extintas as ordens religiosas – em 1834.

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Conteúdos deste artigo
- Um pouco de história
- Aldeia Turística de Codeçal
- Aldeia de Campo Benfeito
- Aldeia de Rossão
- Localização e como chegar
- Onde ficar alojado
- Curiosidades
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Um pouco de história…
No século XII, D. Afonso I doou a Egas Moniz um grupo de “sete vilas” com honras de povoamento, nas quais se incluíam Rossão, Campo Benfeito e Gosende. Após a morte de Egas Moniz, parte da “vila” de Rossão fica a pertencer ao rei e a outra parte a Múnio Ermiges.
Em 1155, o rei doa a parte que detinha de Rossão ao Mosteiro de Santa Maria de Salzedas, que atualmente é parte integrante do concelho de Tarouca, e este por sua vez, em 1172 compra a parte de Múnio Ermiges. Desta forma as sete vilas com honras de povoamento passaram a fazer parte de um único município e julgado, com sede em Campo Benfeito. No século XIV este município anexou-se ao julgado de Britiande, recebendo as suas honras e o maior privilégio desta terra – o de Beetria (*).
(*) Sinónimo de povoação rural que tinha o direito de escolher livremente os senhores que mais lhe conviessem para defesa dos seus interesses.

Depois de vários tumultos ocorridos no século XIV…(…) a honra de Rossão, já extinta, forma concelho próprio, e Campo Benfeito permanece como Beetria anexada ao concelho de Britiande e à sua honra (segunda fase da sociedade – 1396-1550). Para senhores das honras resistentes foram eleitos os duques de Bragança, D. Afonso, D. Fernando I, D. Fernando II, a princesa Santa Joana e o duque D. Jorge de Lencastre. Este morre em 1550 e D. João III mantém os concelhos, mas exige a extinção das Beetrias.

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Aldeia Turística de Codeçal
Chamou-nos a atenção a sinalização de transito vertical localizada na berma da estrada nacional N2, a poucos quilómetros de uma aldeia localizada à beira da referida estrada, uma das várias existentes em Portugal com nomes esquisitos – Colo de Pito. A sinalização indicava o sentido a seguir para a aldeia turística de Codeçal e, movidos pela curiosidade, seguimos EstradaFora em busca da referida aldeia, e de outras que viessem a aparecer no mesmo itinerário.

Acredita-se que o nome desta aldeia, Codeçal, deriva de codesso, um arbusto que existe em abundância por estas bandas. Tal como de urtiga resulta um urtigal, de uma giesta resulta um giestal ou de um tojo resulta um tojal…, de codesso resulta Codessal, que mais tarde veio a ser escrito de forma diferente, sabe-se lá porquê…, talvez por erro de ortografia.
(já agora e a talhe de foice, o sobrenome do autor deste blog – Beleza, na certidão de nascimento escreveram-no com um “S”, Belesa, o que na atualidade gera algumas complicações quando se trata de assuntos sociais.)

Esta é uma aldeia pequena que parece ter parado no tempo, quase não tem habitantes. Tem pouco para ver e a movimentação que hoje se encontra nesta aldeia é basicamente ao fim de semana devido ao alojamento local que aqui existe. Quase se pode dizer que é um “aldeamento de turismo” junto à Serra da Gralheira, com várias comodidades situadas num ambiente rural.

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Aldeia de Campo Benfeito
Após visita a esta aldeia, mantivemo-nos por aqui à descoberta de outros lugares, os quais acabaram por nos surpreender de forma bem positiva. Algumas centenas de metros adiante chegamos à Capela de Nossa Senhora do Refúgio, um santuário situado num local onde a paisagem começa a ser mais apaixonante. À data da nossa passagem havia preparativos para um almoço convívio junto ao santuário…, o porco no espeto já dava voltas sobre o carvão. Metemos conversa com os cozinheiros e em poucos minutos ficamos a saber que todos os anos no primeiro domingo de setembro faz-se aqui a feira do gado, uma feira anual e de relevante importância para os criadores de gado locais.

De novo na estrada, mais à frente avistamos o cruzeiro e miradouro de Campo Benfeito, e a partir daqui as surpresas sucederam-se umas às outras. Situada entre as aldeias de Rossão e Codeçal, Campo Benfeito possui um enquadramento natural digno de ser apreciado. Tal como em muitas outras aldeias dispersas pelo interior, também esta viu partir boa parte das suas gentes em busca de uma vida melhor, principalmente os mais jovens, o que levou ao progressivo abandono da atividade rural. A partir do miradouro junto ao cruzeiro é possível observar verdejantes lameiros, carvalhais e a impressionante área de turfeira, uma das mais importantes em Portugal.


Embrenhar-se pelas ruas da localidade e contemplar o casario quase todo ele em granito é algo que não pode deixar de fazer. Nos ribeiros corre água cristalina e a sombra dos amieiros e carvalhos fornecem a frescura necessária para repousar nos dias mais quentes de verão. A gastronomia por aqui é imperdível, principalmente pratos à base de carnes criadas localmente. A nível cultural esta é também uma aldeia rica, aqui decorrem periodicamente peças de teatro profissional, a juntar ao Festival Atitudes que acolhe o Núcleo de Teatro Regional da Serra de Montemuro da Associação Cultural Desportiva e Recreativa do Fôjo.

Campo Benfeito não é apenas um ponto no mapa, é lugar onde a vida continua ligada à terra e às pessoas. Nesta aldeia merecem especial atenção as artes e ofícios tradicionais, com destaque para o artesanato em lã, em linho e em burel confeccionado pelas Capuchinhas de Montemuro. Na estação de biodiversidade é possível observar a rara borboleta-azul-das-turfeiras, que para completar o seu ciclo de vida necessita de uma planta, de uma vaca e de uma formiga.


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Aldeia de Rossão
Atualmente Rossão é uma bucólica aldeia que pertence à freguesia de Gosende, município de Castro Daire, mas em tempos idos esta aldeia foi sede de um concelho medieval. Tal como as aldeias anteriores, Rossão situa-se no planalto granítico da Serra da Gralheira, é uma localidade marcadamente rural que preserva fortes tradições ligadas à agricultura de subsistência e à pastorícia.

Esta aldeia teve grande importância na idade média, comprovada pela existência de uma parte do Pelourinho erguido no centro da aldeia, outrora símbolo da autonomia local cuja construção se acredita ter sido no século XV. Está classificado como imóvel de interesse público desde 1933. Se o município que foi outrora era autónomo para julgar, havia também o local onde os infratores eram presos e junto ao Pelourinho, havia também a prisão. Contam os mais antigos que a casa que se encontra frente ao monumento serviu esse propósito.

Na atualidade a aldeia mantém uma envolvência tradicional e pacata, onde na calçada das ruas ainda é natural cruzar-se com algum gado. Nos anos em que se deu o maior êxodo de emigração em Portugal, metade da população emigrou para o Brasil, o que originou por aqui uma melhoria das condições de vida, tanto para os que foram como para os que ficaram, porque ficaram disponíveis mais terras para cultivar.

No pedestrianismo, Rossão é ponto de passagem de percursos pedestres muito frequentados por entusiastas de caminhadas, como o triangular percurso, Gralheira – Rossão – Feirão, um percurso caraterizado por paisagens onde prolifera a urze, a carqueja e outras espécies de mato, a juntar ao granito e às vistas impressionantes. É nas proximidades desta aldeia que se situam as origens do Rio Balsemão, um curso de água que ruma em direção à barragem do Varosa, depois de acompanhar de perto um dos troços mais bonitos da estrada nacional N2.

Uma das origens do Rio Balsemão, não propriamente uma nascente, começa junto da Cruz de Rossão, local onde na atualidade se encontra uma capelinha devota a Nossa Senhora da Saúde e Senhora da Boa Viagem. O nome do espaço vem de uma cruz que ali existiu e da qual hoje apenas existe uma base com inscrição imperceptível. Este é também o local onde era recebido o gado da transumância, quando os pastos escasseavam nos baixios, uma atividade hoje quase inexistente que a Câmara Municipal de Castro Daire tem vindo a recriar a cada ano.

A “Cruz de Rossão” continua a ter a sua importância, aqui se realiza uma festa anual bastante famosa, uma das principais realizadas nesta serra e onde comerciantes de gado aproveitam para fazer bons negócios. No centro da aldeia, a Igreja de Rossão é devota a Nossa Senhora de Fátima, foi mandada construir em 1943 quando a pequena capela onde se realizava o culto deixou de ter capacidade para acolher todos os fieis. O exterior desta igreja segue o traço decorativo da maioria do casario da aldeia.

Mais recentemente surgiu na aldeia um Museu Etnográfico, embora de cariz particular. É propriedade do Sr. Júlio Morgado, descendente de uma família da terra que emigrou para o Brasil, e foi nosso guia quando visitamos esta aldeia. Neste pequeno espaço museológico, de entrada gratuita, o visitante pode encontrar diversos artefactos e ferramentas usadas no cultivo das terras, utensílios usados na pastorícia, na tecelagem e de um modo geral no quotidiano doméstico de algumas décadas atrás, mas nesta aldeia, o que mais nos apaixonou foi o quadriculado formado pelas pedras de granito que constituem a quase totalidade das fachadas do casario.

Localização e como chegar
O conjunto destas aldeias fica na Serra da Gralheira (pesquisa no maps), freguesia de Gosende, que pertence ao município de Castro Daire. A melhor forma de chegar a estas aldeias é através da autoestrada A24 e sair em Bigorne, para logo de seguida ir pela estrada nacional N2 e posteriormente pela 222-2. Segue o mapa de localização…
Onde ficar alojado/a
- Se por norma utiliza a plataforma Booking, o alojamento por aqui nessa plataforma é escasso. O único que encontramos é a Casa de Campo Benfeito, com boa classificação.
- Na plataforma airbnb tem em Rossão o Estúdio do Museu, cujo anfitrião é o Sr. Júlio Morgado, foi nosso guia nesta aldeia.
Curiosidades…
Em consequência das pesquisas que efetuamos no sentido de conseguir alguma informação sobre estas aldeias, encontramos este conteúdo num blog que entendemos divulgar por acharmos de interesse geral, pela qualidade da escrita, mas também por acharmos um pouco anedótico.
- Trilhos Serranos – Montemuro: Reflexões – Codessal ou Codeçal
Em quase todas as pesquisas que efetuamos e nos textos que consultamos, a grande maioria faz referência a estas localidades como sendo da Serra de Montemuro, no entanto, no maps, ao pesquisar por Serra da Gralheira esta aparece bem mais perto destas aldeias, e a localidade Gralheira fica a poucos quilómetros, mas já pertence ao município de Resende. Fora do maps, ao pesquisar por Serra da Gralheira a área é bem mais alargada…(???)
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