Um fim-de-semana sem planos
Iniciamos o ano inspirados em viajar, mas sem planos no cardápio, como a passagem de ano ocorreu durante a semana, estávamos com o primeiro fim-de-semana do ano livre e indecisos sobre qual a melhor forma de o aproveitar. Acabamos por decidir rumar à capital algarvia e para isso, tomamos a decisão de traçar o itinerário pela estrada nacional N2, percorrendo aquela que consideramos ser a segunda parte desta estrada, o troço entre Abrantes e Faro. Com a decisão tomada passamos à fase seguinte, reservar alojamento, uma tarefa que não ia ser fácil uma vez que estávamos a fazer tudo em cima da hora, mas a sorte esteve conosco e ao fim de alguns minutos, tínhamos encontrado alojamento de acordo com os nossos requisitos. Em consequência, acabamos por ficar cheios de moral logo no primeiro dia do ano.

____________
Conteúdos deste artigo
- Estrada nacional Nº2
- Estoi – aldeia algarvia do município de Faro
- Visita à cidade de Faro
- Ligeira passagem pela cidade de Olhão
- Breve visita à cidade de Tavira
- Rotunda 738 – Faro
- Alojamento e outras utilidades
____________
Estrada nacional N2
A estrada nacional N2 foi criada pelo plano rodoviário de 1945 com o objetivo de ser a principal artéria de escoamento da indústria, uma vez que atravessa verticalmente Portugal ao meio. Grande parte da sua extensão resultou da renumeração de estradas já existentes, ligadas por troços novos construídos durante as décadas seguintes. Após a sua conclusão, a N2 ficou a ser a estrada mais longa de Portugal. Ao longo do seu itinerário, no norte passava em capitais de distrito e outras cidades mais secundárias, mas a sul afastava-se dos principais centros urbanos.

Como a indústria em Portugal se encontra mais concentrada nas principais zonas urbanas junto ao litoral, a N2 nunca teve o tráfego automóvel que justificasse a sua importância e desenvolvimento. Com o passar dos anos acabou por ser dividida em vários troços, regionais e municipais, tendo alguns retomado o nome que detinham anteriormente. Atualmente apenas cerca de 180km foram mantidos como sendo da estrada N2 genuína, os restantes foram descaracterizados, ou alargados e requalificados, dando origem a novas estradas e renomeados em consequência.

Nas últimas décadas começou a haver alguma revitalização da antiga N2 para fins turísticos. Em 2016 foi criada a Associação de Municípios da Rota da Estrada Nacional N2, que engloba os 33 municípios por ela atravessados e tem como objetivo principal dinamizar o turismo ao longo deste itinerário. Devido à sua extensão e ao contraste entre o relevo mais acidentado a norte e as planícies mais a sul, a N2 atravessa paisagens bastante variadas, que constituem um atrativo aliciante para quem se aventura a percorrer este itinerário.

Em 2003 o troço entre Almodôvar e S. Brás de Alportel foi renovado, passando a ser considerado Património Nacional. Que me desculpem os rodoviários e os entendidos em património, talvez para os motards este seja o melhor troço da N2 pela cadência das suas curvas uma vez que atravessa a serra do caldeirão, mas para quem o percorre de carro, esta é sem dúvida a pior parte. É difícil entender em que se basearam para considerarem este troço de estrada como património nacional, mesmo a paisagem não dá grande ajuda. Este troço não se compara à beleza dos percursos mais sinuosos desta estrada nas zonas a norte da cidade de Viseu.

Eu a a Adelaide decidimos percorrer a estrada nacional N2 em etapas desfasadas no tempo, em vez de a percorrermos seguidamente, de uma assentada, Entendemos que percorre-la aos poucos iria ser mais aliciante, e cada etapa iria ser percorrida de acordo com os itinerários de outras viagens nossas dentro de Portugal. Ao longo de toda a extensão daquela que consideramos ser a segunda metade desta estrada, (de Abrantes a Faro) achamos por bem destacar duas zonas: o troço que liga Ponte de Sôr a Montargil, e o troço que liga Ervidel a Castro Verde. Para nós estes são os troços mais bonitos desta estrada na parte que fica a sul do Rio Tejo, a segunda parte como nós a consideramos.

____________
Estoi – aldeia algarvia
No fim do troco considerado “património nacional” surgiu um desvio, a N2 andava em obras e às portas de Estoi não nos foi possível percorrer os cerca de dez quilómetros anteriores a esta aldeia. Chegamos a Estoi por um desvio e com a cidade de Faro no horizonte. Calcorreamos um pouco por aqui para conhecermos a localidade e aliviar o stress da condução, e daquelas curvas…, e ao cair da tarde seguimos em direção à capital algarvia.


Estoi é uma pitoresca aldeia do município de Faro com raízes na época romana, destacando-se por ser uma localidade algarvia rica em património histórico. De destacar nesta localidade as Ruínas de Milreu, que acabamos por não visitar devido ao clima chuvoso e ao calendário de que dispúnhamos; o Palácio de Estoi, atualmente transformado em pousada; e de um modo geral o Núcleo Urbano.



____________
Visita à cidade de Faro
A tarde caía quando chegamos a Faro, por isso damos prioridade ao chekin no alojamento. A noite aproximava-se e com o clima “farrusco”, decidimos ficar no alojamento, saímos apenas para comprar o jantar, o alojamento era do tipo Guesthouse e este tipo de alojamento tem sido a preferência das nossas viagens uma vez que nos permite confeccionar as nossas próprias refeições. No dia seguinte o clima apresentava-se um pouco mais promissor, mas não muito, apesar das previsões falarem em melhoria. A zona mais antiga da cidade ainda ficava um pouco distante, mesmo assim preferimos seguir apeados e manter o carro estacionado nas proximidades do alojamento.

Tentando ser leal a quem acessa este blog e escrevendo com verdade, enquanto caminhávamos deu para perceber os motivos pelos quais a cidade de Faro é menos falada nos folhetos de turismo do que as restantes cidades algarvias. A sensação de uma cidade que parou no tempo era demais evidente e a desorganização e necessidade de obras estava presente em cada virar da esquina. Soubemos que para lidar com esta problemática, a autarquia implementou um sistema digital de gestão urbana onde se incluem, canais oficiais para reportar problemas ao nível da manutenção, passeios danificados, buracos, e até mesmo a desorganização das ruas. Esperemos venha a dar resultados, porque este tipo de problemas são evidentes até na zona histórica da cidade.

Muitos dos edifícios de interesse turístico nesta cidade são solares, casas de arquitetura antiga (oitocentista), edifícios religiosos, e poucos eram os que se encontravam abertos ao público ou permitiam visita livre. A virada do ano tinha ocorrido à dois dias e no pós-festividade sentia-se alguma calmaria, em contraste com o constante levantar voo da aviação civil transportando de volta ao país de origem todos quantos decidiram passar o virar do ano ao Algarve.


Do conjunto de edifícios históricos que pudemos ver em Faro, alguns são autênticas maravilhas da arquitetura. Entre eles destacamos o Banco de Portugal, construído em 1926 e de arquitetura revivalista neo-manuelina; o Palacete Belmarço, que data de 1917 e outrora foi propriedade de Manuel de Jesus Belmarço, um negociante que fez fortuna no Brasil com o comércio de café e cereais, sendo na atualidade um dos edifícios históricos mais marcantes e fotogénicos da cidade de Faro; e o Café Aliança, um edifício de arquitetura comercial revivalista com caraterísticas burguesas. Este era o café mais antigo da cidade e com maiores tradições culturais, podendo não continuar a ser uma vez que o edifício se encontrava à venda aquando a nossa visita.



Como não levamos o trabalho de casa feito, em consequência não nos é possível especificar lugares visitados, não fomos minuciosos a esse ponto. Cirandamos um pouco pela cidade, caminhamos sem rumo e limitamo-nos a ser bons observadores.
Apesar da nossa vontade o clima continuava pouco promissor, sem melhorias. Entramos no perímetro muralhado pela Porta Árabe, uma das principais entradas na antiga vila de Faro e o único arco em forma de ferradura no seu local de origem em todo o Algarve.
De seguida continuamos pela zona histórica da cidade. Acredita-se que esta entrada teria uma ponte levadiça e terá sido esta a principal entrada na então vila para quem vinha do mar.

Para quem vinha de terra a entrada fazia-se por uma porta localizada entre duas tores denominadas de Torres Bizantinas, onde se encontra o Arco do Repouso e no interior a Ermida de N. Senhora do Repouso. Esta entrada foi reforçada no século XIII com duas Torres Albarrãs, com a finalidade de melhorar a eficácia de defesa numa das entradas mais vulneráveis da então vila. Esta entrada está associada à conquista de Faro pelos cristãos comandados por Afonso III, que terá sido concretizada de forma pacífica e sem batalhas sangrentas.

Nem sempre olhar para cima é suficiente para apreciar o que de melhor se pode ver numa cidade, por vezes é necessário olhar também para o chão, e uma das maravilhas artísticas que pode ver em Faro feitas pela mão do homem é a tradicional calçada portuguesa. Por irónico que pareça, esta calçada é maioritariamente elaborada por homens, chamados de calceteiros, com pouca ou quase nenhuma formação escolar, o que não os impede de ser verdadeiros artistas nesta arte.
Na atualidade, em Faro existem cerca de uma dezena de ruas decoradas com este tipo de calçada, com pedras de cor e tons variados onde predomina o branco, o preto, e em menos quantidade cores avermelhadas, tons cinzentos e amarelo-ocre, e mais cores existissem neste tipo de pedra…


A cidade de Faro é também conhecida por abrigar alguns edifícios da Arte Nova e outros, que mesmo não sendo originários, foram “beber” algum do traçado arquitetónico desta arte que surgiu tarde em Portugal e teve um periodo de vida curto. Um desses edifícios foi recentemente restaurado e dá pelo nome de Casa 1923. Foi erguida no centro histórico no ano de 1923, de onde vem o nome que lhe foi atribuído e nela se destaca a bonita fachada principal. Foram várias as fachadas de habitações com este traço arquitetónico que encontramos nesta cidade, algumas comovem o visitante ao vê-las com aspeto tão triste e a necessitar de restauro.



Como é nosso hábito visitar a igreja matriz sempre que a mesma se encontre aberta, Faro não foi exceção, embora na primeira vez que passamos pela igreja a mesma encontrava-se fechada. Construída no século XVI, a igreja matriz de Faro tem como orago S. Pedro. No seu interior merecem destaque o altar de N. Senhora da Vitória, com o seu retábulo de estilo rococó e azulejos azuis e brancos que retratam a Capela das Almas, bem como o conjunto de esculturas dos restantes altares ou capelas.

____________
Uma breve visita a Olhão
Como o clima se encontrava inadequado para caminhadas à beira-mar, uma dos pontos inscrito no nosso cardápio para a “Ilha de Faro”, optamos por algum improviso e conseguimos um tempinho para uma visita rápida à cidade de Olhão, uma cidade próxima da cidade de Faro mas de caraterísticas bem diferentes. Com o clima a não querer colaborar acabamos por não nos demorar por aqui, decidimos deixar para mais tarde…


____________
Cidade de Tavira
Tavira foi outra das cidades à qual decidimos fazer uma ligeira visita. O fim de semana aproximava-se do fim, era dia de regressar a casa, mas esta cidade fazia parte do cardápio para este dia, que começou com o clima bem mais agradável. Continuamos com tempo de visita reduzido, particularmente neste dia uma vez que tínhamos muita estrada pela frente, mas o clima mais animador trouxe motivação extra. Esta é uma cidade onde garantidamente iremos voltar, não apenas pela cidade mas também pela praia, qui-çá uma semana de férias por estas bandas.


____________
Rotunda 738 – Faro
Uma vez que percorremos a quase totalidade daquela que consideramos ser a segunda parte da estrada nacional N2, seria impensável regressarmos sem uma fotografia da Rotunda 738, o fim da mítica estrada.


____________
Alojamento e outras recomendações
- Quando visitamos Faro ficamos alojados no Vintage Senses Residenses, um alojamento do tipo guesthouse onde cada unidade se encontrava equipada com: ar condicionado, casa de banho privada e cozinha partilhada. Perto do alojamento existem vários restaurantes, cafés e um hipermercado.
- Para viajar com segurança e evitar surpresas desagradáveis, recomendamos faça um seguro de viagem com a IATI Seguros, dessa forma irá sentir-se mais livre e desfrutar melhor da sua viagem.
- Se não foi em carro próprio, para não ficar limitado aos transportes públicos reserve automóvel na Discover Car, permite-lhe independência horária e liberdade para parar onde quiser.
Esta página contém links afiliados, use-os no planeamento das suas viagens. Se efetuar as suas reservas através desses links nós recebemos uma pequena comissão, dessa forma está a ajudar na manutenção deste blog sem custos adicionais para si.
Se gostou deste artigo partilhe-o com os seus amigos. Caso tenha algo a comentar, sinta-se à vontade para o fazer usando o formulário.
Este artigo e todos os outros deste blog, foram escritos sem qualquer recurso à Inteligência Artificial


