Visitar Vila Real
“Para lá do Marão mandam os que lá estão”
Vila Real é uma cidade antiga, localizada num planalto situado junto às escarpas do Rio Corgo, um promontório onde se encontra implantada a parte mais antiga da cidade – Vila Velha. Situa-se a 450 metros de altitude e encontra-se totalmente enquadrada na paisagem natural que a envolve, tendo como pano de fundo as serras do Alvão, e um pouco mais distante a serra do Marão. Bem servida de acessos, beneficia de localização privilegiada por se encontrar no cruzamento das autoestradas Porto-Bragança e Chaves-Viseu. Outrora foi também servida pelo caminho de ferro, a Linha do Corgo, uma linha de bitola estreita, que fazia ligação da cidade da Régua, na Linha do Douro, com a cidade flaviense mais a norte – Chaves.

Acontecimentos históricos relevantes
Nos finais do Século XI foi atribuído foral a Constantim de Panóias pelo conde D. Henrique, como forma de promover o povoamento na região, mas Somente em 1289 se torna efetiva a vontade da corte, quando por foral de D. Dinis é fundada a Vila Real de Panóias e que veio a tornar-se na cidade atual, embora anteriormente já se chamasse “Vila Rial” ao promontório onde nasceu a cidade que hoje conhecemos.

Em tempos idos, a cidade de Vila Real foi conhecida como a “Corte de Trás-os-Montes” devido ao elevado número de casas brasonadas que tinha, consequência dos nobres que aqui se fixaram por influência da Casa dos Marqueses de Vila Real. Em algumas delas, na atualidade ainda hoje são visíveis as pedras de armas que atestam os títulos da nobreza dos seus proprietários.

Esta cidade é também conhecida por “Princesa de Trás-os-Montes” ou “Princesa do Rio Corgo”, consequência de ter nascido de um ato de vontade dos reis de Portugal. Face ao sotaque caraterístico nortenho, que na pronúncia de algumas palavras trocam o V por B, a cidade é também conhecida por “Bila”, embora este termo seja mais usado pelos habitantes locais.
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Conteúdos deste artigo
- Central Hidroelétrica do Biel – espaço museológico
- Património edificado de Vila Real
- Casa dos Marqueses de Vila Real – posto de turismo
- Monumentos religiosos de Vila Real
- A presença do granito e os brasões da cidade
- Cerâmica artesanal de Bisalhães
- Museu de arqueologia e numismática
- Parque do Corgo e parque florestal
- Fundação e solar Casa Mateus
- Localização e como chegar a Vila Real
- Outros locais de visita nas proximidades
- Recomendações de alojamento em Vila Real
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Dicas de visita
Vila Real tem permanecido fora dos roteiros turísticos mais badalados de Portugal, algo incompreensível uma vez que esta cidade tem muito para visitar e sabe receber quem a visita. Se a pretende conhecer devidamente, reserve pelo menos um fim de semana completo, porque para ver tudo num só dia fica muito apertado, mesmo que seja no verão. No fim de semana que por aqui andamos, acabamos por apanhar chuva no segundo dia, condicionando a nossa visita uma vez que não levamos a sério as condições climatéricas que consultamos.


Esta cidade é ponto de passagem obrigatória da mítica Estrada Nacional N2, uma estrada construída durante o “estado novo” que nunca chegou a servir os propósitos para os quais foi projetada, estando na atualidade a ser aproveitada pelo turismo. A N2 atravessa Vila Real na Avenida Carvalho de Araújo, a “sala de visitas” da cidade. A avenida tem num dos extremos o edifício dos passos do concelho, e no outro o palácio da justiça.

Quando visitar Vila Real
Em nossa opinião, a melhor época do ano para visitar Vila Real é nos meses mais quentes, são também dias mais longos e como está no centro norte de Portugal, as temperaturas por aqui são mais amenas, o que lhe permite desfrutar melhor dos momentos aqui passados. Se não conseguir nessa data, faça-o quando puder, mas não deixe de ir. Nós visitamos em meados de outubro, quando tivemos possibilidade…

Protegida do clima do litoral pelas serras do Marão e do Alvão, o verão por aqui é moderadamente quente, mas as noites podem ser frescas. Por esse motivo leve sempre consigo um agasalho, à noite pode fazer falta. No inverno o clima é húmido e as temperaturas podem descer abaixo de 0º, podendo ocasionalmente existir ocorrência de neve e consequente formação de gelo nas estradas.
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O que visitar em Vila Real
Central hidroelétrica do Biel – espaço museológico
Descemos o Bairro dos Ferreiros em busca de estacionamento, que apenas conseguimos após atravessarmos a Ponte de Santa Margarida, junto do shopping e iniciamos a nossa visita percorrendo de novo os passadiços do Corgo. Levávamos como objetivo a visita à Central Hidroelétrica do Biel, na atualidade de portas abertas como museu, e assim fizemos.

Vila Real foi a terceira cidade portuguesa a ser abastecida por energia elétrica para uso público, e a primeira a produzir energia hidroelétrica. Foi em 1894 que a Central Hidroeléctrica do Biel iniciou a produção de energia, tendo funcionado apenas até 1926 devido a problemas de caudal do rio. Durante esse tempo, as ruas de Vila Real foram iluminadas por lâmpadas de “16 velas”, forma antiga de quantificar a capacidade de luz. Hoje encontra-se transformada num espaço museológico.

Passados poucos anos de inatividade, as instalações da central foram adquiridas por José Pires Granjo, um industrial que nelas instalou uma fábrica de curtumes. Usava como força motriz o caudal do rio, de onde obtinha energia suficiente para mover a maquinaria necessária à laboração. Com a segunda guerra mundial surgiram dificuldades que condicionaram a atividade desta indústria e em meados da década de 50 a fabrica acabou por encerrar portas.

Não apenas pelo espaço museológico, mas também pelo cenário, vale a pena descer aqui ao fundo e ver com os seus próprios olhos a singularidade do local, mas recomendo que o faça no sentido ascendente, não no sentido que nós percorremos. Desça pelo lado do Museu de Vila Velha e percorra os passadiços no sentido ascendente do rio, é menos cansativo…, mais suave.

Património edificado de Vila Real
Chegamos ao museu de Vila Velha com a respiração a necessitar de algum descanso. Aqui próximo deste museu existe um miradouro que não visitamos, mas de excelentes vistas. Seguimos para a direita e numa curta caminhada, passamos por duas edificações históricas e relevantes para Vila Real, são elas a Casa das Portas da Vila e a Casa dos Brocas. Foi aqui em Vila Velha que se fixaram os primeiros moradores, possivelmente em finais do século X. Consta-se que em 1139 já se chamava Vila Rial a esta zona da cidade.

A Casa das Portas da Vila é uma das muitas casas nobres que se podem encontrar nesta cidade, é uma casa de arquitetura residencial setecentista e manuelina, atualmente desabitada, mas que ainda conserva dois imponentes brasões sobrepostos por cima de cada uma das portas laterais. Um pouco mais adiante encontra-se a Casa dos Brocas, um solar da família do grande escritor Camilo Castelo Branco, mas nesta rua outros edifícios clamaram pela nossa atenção.

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A esta hora e sem nos apercebermos, estávamos a chegar aos passos do concelho e à avenida principal de Vila Real, a Avenida Carvalho de Araújo, a artéria principal da Vila Real Antiga e na atualidade o principal centro cívico da cidade. Nesta avenida podemos encontrar espaços de referência, como: a Sé Catedral, a casa de Camilo Castelo Branco, a Casa do Arco, a Casa dos Marqueses de Vila Real…, entre outras. Esta avenida é atravessada pela Estrada Nacional N2, não estranhe por isso a constante circulação de motards que por aqui passam.

Casa dos Marqueses de Vila Real – Posto de Turismo
O posto de turismo de Vila Real encontra-se instalado na avenida Carvalho de Araújo, na Casa dos Marqueses de Vila Real, que como o nome indica, foi habitada pela família do primeiro Marquês de Vila Real, um título que sucedeu a Conde de Vila Real e que fora instituído por D. João II de Portugal. A construção desta casa data de finais do século XV e a influência desta família, chamou a Vila Real outras famílias nobres. Umas e outras fizeram de Vila Real a Corte de Trás-os-Montes.

Nesta avenida encontra-se também a casa-berço do navegador Diogo Cão, uma casa habitacional, de estilo manuelino, que terá sido construída na segunda metade do século XV. Pelo nome que lhe atribuíram, na atualidade é algumas vezes confundida com a Casa dos Marqueses de Vila Real, por chamarem a ambas a “Casa do Arco”, embora apenas esta última faça jus ao nome uma vez que incorpora um arco na sua arquitetura.

Ao visitar Vila Real irá surpreender-se com as numerosas casas históricas que incorporam pedras de armas nas suas fachadas, testemunhos da nobreza da cidade. Dos edifícios históricos próximos à avenida Carvalho de Araújo destacam-se também os Passos do Concelho, a Sé Catedral, o Pelourinho e o liceu Camilo Castelo Branco. O Pelourinho, atualmente localizado no largo ao qual deu o nome, terá sido erguido aquando o foral atribuído pelo rei D. Manuel. Na atualidade apenas a coluna octogonal ainda é a original, o resto é uma cópia de como foi anteriormente.

Monumentos religiosos em Vila Real
Ainda na avenida Carvalho de Araújo, do lado oposto ao Pelourinho encontra-se a Sé de Vila Real, ou igreja de S. Domingos, um local de culto e de visita “obrigatória”, que terá sido a sede de um convento dominicano, sendo na atualidade um dos melhores exemplares da arquitetura gótica em Trás-os-Montes. É um templo de decoração simplista, cuja construção terá sido ordenada pelo rei D. João I em 1427. O interior deste templo alberga um majestoso e funcional órgão de tubos.

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Cirandamos um pouco pelas ruas da zona mais antiga da cidade e acabamos por ir ao encontro de outros monumentos religiosos dignos de registo, como é o caso da Igreja de S. Paulo, ou Capela Nova, se preferir, um ícone da cidade. No interior destacam-se os painéis de azulejos que revestem as paredes e relatam episódios da vida de S. Pedro e S. Paulo.

Outra igreja digna de visita, embora um pouco mais afastada da zona histórica, é a altaneira Igreja do Calvário, com a fachada principal revestida a azulejo e um interior magnífico, o mais lindo das igrejas que visitamos por aqui. O adro desta igreja é também um miradouro para cidade.

Não muito longe daqui encontra a Igreja de S. Pedro, que infelizmente não nos foi possível ver por dentro, de todas as vezes que passamos por lá encontrava-se sempre alguma celebração a decorrer. Numa das vezes, por ex. celebrava-se um batizado. Fica um registo da bonita fachada principal, a única igreja nesta cidade com duas torres sineiras.

A presença do granito na arquitetura edificada
Ao visitar Vila Real, não pode deixar de dar particular atenção ao casario edificado na zona mais antiga da cidade e às casas brasonadas. O granito por aqui é presença constante e as varandas com seu charme, encantam quem por elas passa. Entre numa pastelaria de doçaria regional e saboreie alguns pasteis tradicionais aqui da região, como as cristas de galo ou os pitos, enquanto convive um pouco com as gentes locais. De seguida continue pelas ruas e comtemple a arquitetura antiga, com a presença do granito sempre constante.






Uma dessas caminhadas levou-nos até ao Jardim da Carreira, um espaço público e de lazer, que originalmente foi arborizado com espécies de árvores vindas do Gerês. Na atualidade neste parque encontram-se expostos uma série de brasões, que terão sido recuperados em consequência de possíveis restauros, ou quiçá, demolições. À entrada do jardim, num placar, podem ser consultadas algumas informações relacionadas, bem como as famílias à qual pertenciam.

Em outubro, neste fim-se-semana e neste mesmo jardim, teve início a Festa da Latada, a grandiosa celebração estudantil dos finalistas da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, marcando a transição para a vida profissional com tradições como o cortejo, a imposição de insígnias…, e outras atividades. O cortejo seguia em direção ao palácio da justiça, onde já existia alguma concentração de pessoas a aguardar pela chegada. Pelo pouco tempo que assistimos, deu para perceber ser uma festa bem “barulhenta”.

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Cerâmica artesanal de Bisalhães
São cada vez mais raros os momentos em que os fornos escavados na terra, na aldeia de Bisalhães, se enchem de peças de barro e se vestem de fogo e de fumo, para cozer a louça que se tornou num símbolo do concelho Vila Real e Património da Humanidade. São raros, mas ainda existem, e resistem. A olaria de Bisalhães distingue-se de todas as outras pelo seu processo de confecção, arcaico e ancestral em todas as etapas, até que se transforma em louça utilitária ou decorativa. Fomos visitar e vimos que a tradição do barro preto de Bisalhães ainda é o que era.

Visite você também e conviva um pouco com os oleiros desta tão singular atividade, durante a nossa visita deu para perceber que os oleiros ainda em atividade valorizam quem as visitas e por isso recebem quem os visita de “braços abertos”. Pelo caminho visite a Torre de Quintela, um dos poucos exemplares da arquitetura residencial civil e militar, que demonstram o avanço da senhorialização por terras transmontanas. O século XIII é apontado como data da sua construção, mas alguns estudiosos apontam uma data mais tardia, o séc. XV.

Museu da arqueologia e numismática
Situado na marginal e voltado para o Corgo, este museu constitui-se na realidade como um ponto de partida de conhecimento e interpretação da região em que se insere. Nele se encontra um espólio arqueológico e numismático valioso que é necessário proteger, valorizar e divulgar. Este museu encontra-se equipado com meios que permitem conhecer e explorar melhor alguns alguns conteúdos numismas através da ampliação.

Parque do Corgo – Parque Florestal
O Parque do Corgo, situa-se nas margens do rio que lhe dá o nome e está ligado ao Parque Florestal, um verdadeiro pulmão da cidade. Incorpora vários equipamentos desportivos, itinerários pedestres, parque de merendas, piscinas, e outros mais que as condições climatéricas não nos permitiu conhecer na íntegra. Na área correspondente ao Parque Florestal está instalado um circuito de manutenção, que convida à prática de hábitos de vida saudáveis e num a das margens, encontram-se as instalações do Centro de Ciência Viva. Nos dias mais quentes de verão e na magia do outono, este é um lugar imperdível.

Fundação Casa Mateus
A Casa Mateus, um dos solares mais elegantes da Europa e um ponto incontornável numa visita a Vila Real, encontra-se situado a escassos 3 km da cidade, mas adiantamos desde já que por opção nossa nós não visitamos, uma visita a esta joia da arquitetura barroca não encaixa bem em todas as carteiras. Este sumptuoso solar/palácio é gerido pela Fundação Casa Mateus e está intimamente ligado a um dos vinhos mais afamados de Portugal, o Mateus Rosé. Para visitar a Casa Mateus deve fazer marcação com antecedência.

Como as condições climatéricas não nos permitiram continuar, deixamos aqui o essencial da nossa visita a esta cidade. Terminamos com a imagem de um edifício com decoração típica daquilo que foi a Arte Nova, conteúdo que esperamos um dia partilhar de forma mais pormenorizada aqui neste blog, e do guardião que veio despedir-se de nós aquando a nossa partida, um Pondengo pequeno de pêlo liso.


Localização e como chegar
Logo no inicio deste artigo encontra a descrição de localização e as melhores artérias para chegar a Vila Real. Segue identificação de Vila Real no mapa, que pode consultar para melhor orientação.
Ver mapa maior
Outros locais de visita nas proximidades
Não muito longe daqui existem alguns lugares de interesse que pode visitar, embora cada um tenha a sua data específica.
Onde ficar alojado/a
Quando visitamos Vila Real nós ficamos alojados no Prado in Douro Apartamentos, com casa de banho e cozinha privativas e a um preço bem acessível.
- Com excelentes vistas para a cidade e para as arribas do Corgo recomendamos o Hotel Mira Corgo.
- Se pretende um contacto melhor com a natureza, a Quinta da Corujeira pode ser o que procura, mas um pouco afastado da cidade.
- Pertinho do núcleo da cidade, o melhor que recomendamos é a Casa dos Correios, dificilmente encontra melhor
- Outra opção muito boa e espaçosa é o T2 Duplex Avenida, onde se pode sentir como em casa.
Se nenhuma destas opções corresponde às suas necessidades, faça a sua seleção através dos nossos links.
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