Nascentes de água perenes
As nascentes de água perenes, são nascentes naturais onde a água aflora à superfície da terra em quantidade considerável durante todo o ano, inclusive durante o verão embora com caudal mais reduzido. Estas nascentes são fundamentais para alimentar o caudal dos rios aos quais estão ligadas e manter a perenidade dos ecossistemas, criando áreas de preservação permanente populadas por diversos seres vivos, principalmente aves, uma vez que na zona envolvente destas nascentes existe alguma diversidade arbórea.
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Conteúdos deste artigo
- Quando visitar as nascentes de água perenes
- Nascente do rio Alviela
- Nascente do rio Almonda
- Nascente do rio Anços
- Olhos de água de Fervença
- Olhos de água de Alcobertas
- Olho Marinho
- Nascente de Ançã
- Nascente do Agroal
- Mapa com localização destas nascentes
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Desde cedo que o homem começou a tirar proveito destas nascentes, inicialmente no aproveitamento da força motriz fornecida pelos generosos caudais e mais tarde no abastecimento de água às populações. Na atualidade tem existido algum investimento na melhoria do espaço envolvente, criando condições para agradáveis momentos de lazer nos dias mais quentes do ano. Visitamos algumas destas nascentes na região centro litoral, ou se preferir na zona oeste, em datas aleatórias e fomos encontrar algumas com excelentes condições para a prática de veraneio.

Quando visitar estas nascentes
Estas nascentes podem ser visitadas em qualquer altura do ano, no entanto será aconselhável escolher a data de visita de acordo com as suas preferências. Se for sua intenção ir ao encontro da natureza em toda a sua plenitude, o final da primavera será certamente a data ideal, as nascentes estão perto da sua força máxima e o espaço envolvente ainda se encontra pacífico. Os meses de outono também são uma boa opção, uma vez que a maioria das espécies arbóreas nestas zonas são de folha caduca e os tons desta época dão encanto ao lugar. Para a prática de veraneio, o julho e o agosto.

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Nascente do Rio Alviela
Localizada no município de Alcanena, a nascente do rio Alviela tem na realidade duas nascentes, ou se preferir, uma nascente e um afluente. A montante da conhecida nascente do rio Alviela desenvolve-se o percurso interpretativo dos Olhos de Água do Alviela, que na realidade se situa ao longo do curso da Ribeira de Amiais, o primeiro afluente do Alviela, no qual apenas corre água em dias invernosos ou de pluviosidade mais acentuada.

A ribeira dos Amiais corre em grande parte a céu aberto, assumindo particular beleza e importância geológica, quando ao atravessar o afloramento calcário onde nasce o rio Alviela se esconde por canais subterrâneos, sendo responsável pela formação de galerias da denominada Lapa da Canada. As suas águas juntam-se às águas na nascente do Alviela mesmo ali ao lado e a montante desta união, são visíveis algumas estruturas geomorfológicas que resultam da interação química entre a rocha calcária e o seu principal agente erosivo, a água.

A nascente do rio Alviela foi desde 1880 a principal fonte de abastecimento de água a Lisboa. Até chegar à capital, a água percorria a distância de 114 km através de canais e infraestruturas construídas para o efeito, sendo mais tarde reconhecidas como “importantes obras de arte”. Devido ao crescimento da população, anos mais tarde este abastecimento veio a ser complementado com a captação de água na barragem de Castelo de Bode e assim se mantém até aos dias atuais.

Apesar de já anteriormente ser praia fluvial, a zona envolvente à nascente passou por obras de requalificação, tornando este espaço mais apetecível e em consequência, também mais frequentado. O espaço encontra-se equipado com parques de estacionamento, parque de campismo, parque de merendas com mesas e grelhadores, casas de banho, restaurante e bar, campo de jogos,… e acima de tudo um magnífico espaço verde.

Quando usufruir da zona pode visitar o Centro de Ciência Viva do Alviela, onde poderá conhecer ao pormenor a nascente dos Olhos de água e os percursos que faz até chegar à praia fluvial. Na periferia encontra também diversos percursos pedestres, percursos BTT, e outras atividades que pode fazer tendo sempre a natureza como cenário principal.

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Nascente do Rio Almonda
Apesar de algumas placas indicadoras, poucas, a nascente do rio Almonda encontra-se um pouco escondida e uma parte do acesso tem obrigatoriamente de ser percorrido a pé. Esta nascente encontra-se nas traseiras de uma das fábricas da Renova, que pelo aspeto faz parecer estar em degradação ou abandonada, o que não é verdade. Não há indicações se o caminho até lá é publico ou privado, quem visita a nascente vai por sua conta e risco.

Dizem os entendidos que a gruta de onde nasce o rio Almonda desenvolve-se por mais de 10 km, constituindo um santuário de espeleologia nacional, a mais extensa rede cársica atualmente conhecida em Portugal, composta por várias ribeiras subterrâneas que dão origem a esta nascente. Visitamos esta nascente alguns dias após chuva recente, pelo que a fomos encontrar com caudal generoso. No verão o caudal diminui drasticamente, mas continua ativo, alimentando a vegetação subaquática que aqui se forma, um cenário idílico e de contornos bucólicos.

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Nascente do Rio Anços
Tal como as nascentes anteriores, a nascente do rio Anços é também ela do tipo “Olhos de Água”, uma nascente que aflora à superfície em quantidade generosa. A cavidade subaquática associada a esta nascente é conhecida até à profundidade de 60 metros, sendo um dos maiores aquíferos por desvendar que existe nas “fraldas” da Serra de Sicó.


Esta nascente situa-se entre as populações de Arrancada e Anços, na freguesia de Redinha, uma localidade com história que pertence ao município de Pombal. O rio associado a esta nascente tem a particularidade de ser um dos poucos rios que corre de sul para norte em boa parte do seu percurso, indo desaguar no rio Arunca no interior da vila de Soure.

À semelhança de outras nascentes, também esta viu o espaço envolvente requalificado com vista ao aproveitamento em época de veraneio. À data da nossa visita deu para perceber que as infraestruturas necessitavam de manutenção e que urgia se fizesse alguma intervenção para o manter com as condições mínimas para a prática de veraneio, quer seja pelos locais ou outras que visitem a localidade.

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Olhos de água de Fervença
Os Olhos de Água de Fervença, ou apenas Olhos da Fervença, são como o nome indica uma nascente que pelo borbulhar da água parece estar a ferver, largando pequenas borbulhas que sobem à tona da água. Esta nascente funciona como fonte de abastecimento de água ao Concelho de Cantanhede e outros limítrofes, sendo uma nascente que pelas suas caraterísticas têm atraído muitos visitantes ao longo do ano, não só pelas suas particularidades invulgares como também pelas condições do parque envolvente.



Para tirar partido do potencial turístico do local, o município construiu uma praia fluvial no leito da ribeira por onde corre o excedente destas águas, aproveitando o espaço envolvente como zona de lazer. Foi criado um pequeno areal e área de prado relvado para banhos de sol e descanso, circuitos pedonais, bar com esplanada, balneários, parque de merendas e campo de jogos. Recentemente a zona de lazer foi aumentada e foram construídos uns passadiços para melhorar os acessos.


Nesta nascente existe de tudo um pouco, inclusive algum comércio. Na periferia existe zona de estacionamento, mas em plena época de veraneio torna-se pequena face aos banhistas que aqui se deslocam, o local onde encontraram as condições ideais à pratica dos seus momentos de diversão, lazer e descanso.

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Olhos de água de Alcobertas
As nascentes dos olhos de água de Alcobertas, são um pequeno oásis em comparação com a secura agreste que as rodeia nos meses mais quentes do ano. Esta nascente foi ponto de abastecimento para pessoas e animais, que vinham de aldeias vizinhas em busca da água que sempre escasseou na região, conforme retratado no painel de azulejos. Pela pureza da água, ainda hoje se demolham aqui tremoços.

A área envolvente a esta nascente não dispões de muito espaço, existem algumas mesas de pic-nic e grelhadores, mas não mais que isso. É possível caminhar até bem perto das nascentes, ou descer uns degraus e acessa-las pelo lado superior, e bem pertinho das nascentes dá para ver a subida da água à superfície.

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Olho Marinho
Há diferentes versões para explicar as origens do Olho Marinho (população), alguns estudiosos indicam que a sua formação já vem da época romana e que terá começado com a presença do homem por aqui devido às características dos terrenos, mas sobretudo à abundância da água potável, condição essencial para a sobrevivência humana.

Os Olhos de Água de Olho Marinho são uma curiosa emergência num rochedo calcário no centro da aldeia. Esta nascente divide-se em duas partes, separadas por uma pedra talhada e perfurada na base. A parte que fica mais perto da nascente tem o nome de Olho das Quartas, servia para o abastecimento domiciliar. À outra deram o nome de Olho da Rainha, era a zona de lavagens de roupa e lavagens curativas, uma vez que se diz esta água ter propriedades medicinais.

No espaço envolvente existe alguma arte urbana. Chamam a atenção uma pintura e poesias nos muros que rodeiam a nascente e que merecem algum destaque.


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Nascente de Ançã
Em nossa opinião esta é a nascente mais bonita do conjunto de nascentes de água perenes aqui apresentado. Além da informação já descrita noutro artigo aqui neste blogue, de realçar o conjunto arquitetônico do alpendre em abóbada que cobre a fonte, assente em três arcos apoiados em pilares rústicos, adoçados na parede sob a qual brota maior quantidade de água e onde figura o brasão de armas dos Castros.


As bancadas dos muros que rodeiam o recinto onde a fonte se situa, era onde as moças apoiavam os cântaros e os canecos de madeira que usavam para levar água para casa. Conta-se que ao entardecer, alguns jovens aguardavam por aqui a chegada das esbeltas moças para galanteios e namoricos combinados, posteriormente ajudando a colocar o caneco à cabeça das moças, um gesto de agradecimento cavalheiresco.


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Nascente do Agroal – Praia Fluvial
Sendo o calcário um tipo de rocha permeável à água, com o passar dos anos formaram-se grutas e algares que acabaram por dar origem a rios subterrâneos. Esta é a principal razão pela qual é difícil encontrar cursos de água à superfície em serras onde abunda este tipo de rocha, a água infiltra-se no solo e com o tempo vai abrindo caminho no subsolo, criando galerias. As nascentes às quais se refere este artigo, no geral todas partilham origem semelhante, com exceção dos Olhos de Fervença.

A nascente do Agroal, tal como a do rio Almonda, de Alcobertas, do rio Alviela e do rio Anços, encontram-se no sopé das serras de Aire e de Sicó, sendo o calcário a principal rocha presente em ambos os maciços. No interior destas serras existem inúmeras galerias semelhantes às grutas da serra de Aire, onde o pinga pinga da água que se infiltrou durante as chuvas chega para alimentar um curso de água subterrâneo, que vai correndo sempre para as zonas mais baixas tal como um rio a céu aberto.

Estas nascentes serão o final de um conjunto de pequenos cursos de água, que jorram à superfície quando já não existe mais curso de água subterrâneo por onde se infiltrar. A água atingiu a cota mais baixa das galerias, podendo escapar-se em zonas onde a cota é mais elevada em dias de muita chuva, sinónimo que a galeria encheu e acabou por brotar mais acima, a saída mais baixa não deu vazão.

Esta nascente foi convenientemente aproveitada pelo município, criando infraestruturas para a prática de veraneio onde as pessoas com mobilidade reduzida não foram esquecidas. Integra a maior nascente do rio Nabão e encanta os visitantes pelas águas frias, e pela natureza onde está inserida. Há quem diga que estas águas tem propriedades curativas e medicinais. Na atualidade é bastante frequentada e há já alguns anos que usufrui de bandeira azul.

Junto desta praia têm inicio uns passadiços que se prolongam pelas margens do rio Nabão e que à data da nossa visita não nos foi possível percorre-los na totalidade, a tempestade Krisntin fez alguns estragos por aqui e limitou o percurso.


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Mapa com a localização
Poderá ver no mapa a localização destas nascentes, existindo certamente outras semelhantes em outras zonas de Portugal.
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- Se gosta de praias fluviais, consulte este artigo com seis maravilhosas praias fluviais na zona centro de Portugal.
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