CASTELO DE VIDE, a Sintra do Alentejo

Rodeado pelo casario branco que se destaca na paisagem verde, o castelo de Castelo de Vide é uma das surpresas para o visitante, mas o mais surpreendente esconde-se dentro da vila, em ruas que conservam a atmosfera do tempo medieval dentro do primeiro cerco de muralhas, e das formas de vida judaicas logo a seguir ao primeiro cerco, ou não fosse esta uma das vilas que mais refugiados acolheu após a sua expulsão da vizinha Espanha. Para visitar Castelo de Vide a máquina fotográfica é objeto imprescindível, com o obturador a ser constantemente solicitado a novos registos, e ao olhar as fotografias registadas durante a nossa visita, a seleção é difícil.

Praça D. Pedro V e largo da Igreja

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Conteúdos deste artigo

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História – um breve resumo

Desta vez não nos foi possível fotografar Castelo de Vide a partir da torre de menagem, uma vez que nela se encontrava fogo de artifício preparado para celebrar as comemorações que ocorriam à data, mas já tinha andado por aqui anteriormente e por isso podemos afirmar que lá do alto, a vista prolonga-se até Espanha. Em posição dominante a norte da serra de São Mamede, em tempos longínquos Castelo de Vide revestia-se de importância estratégica devido à sua proximidade com a fronteira.

Porta da Vila de Castelo de Vide

A municipalidade foi conseguida em 1276, quando Castelo de Vide se libertou do termo de Marvão ao qual pertencia desde 1226, no entanto existem divergências relativamente às primeiras cartas de foral outorgadas a Castelo de Vide, apenas o foral atribuído por D. Manuel I em 1512 é o mais garantido. A expansão urbana fora das muralhas do castelo ocorreu lentamente ainda durante o séc. XIV, nos arrabaldes da encosta sul, onde são privilegiadas a boa exposição solar e um declive mais suave, em detrimento das vertentes Norte e Oeste, mais escarpadas e ventosas.

Rua de Santa Maria de Cima

No plano de defesa da vila e do seu território, a construção das linhas muralhadas nem sempre ocorreu de acordo com necessidades, mas as constantes guerras com o país vizinho obrigaram a algumas intervenções a respeito. Em 1710, na colina de S. Roque foi construída uma nova fortaleza e, pela mesma altura, a vila foi adaptada às novas exigências da artilharia (…). Castelo de Vide continuou, até finais do séc. XIX com a imagem praticamente inalterada. Em 1823 a guarnição militar saiu definitivamente de Castelo de Vide e a vila deixa de ser considerada “Praça de Guerra”. Alguns dos seus baluartes e muralhas foram abandonados, outros vendidos a proprietários privados.

Jardim do Baluarte da Memória

Localizada perto da raia espanhola, Castelo de Vide foi porta de entrada para inúmeras famílias judaicas, expulsas de Castela e Aragão pelos reis católicos, um acontecimento histórico que teve início em 1492. Muitos estabeleceram-se aqui na vila, por esta estar próxima da fronteira e da portagem de Marvão, aumentando a comunidade já existente, um acontecimento que veio a ser benéfico para a vila devido ao comércio que desenvolveram.

Bairro da Judiaria de Castelo de Vide

Mais recentemente, a importância das águas minerais, abundantes e diversificadas de Castelo de Vide, surgem como principal “fonte” motivadora da vinda de forasteiros à vila, o que acabou por se traduzir num aumento de turismo na região. O engarrafamento e comercialização da água proveniente da Fonte da Mealhada, a tal de onde se diz que quem beber dela volta a Castelo de Vide para casar, revelou-se outro ponto de interesse para quem vem de fora.

Encantos de Castelo de Vide

Na atualidade constituem motivos para visita o castelo, a cintura muralhada, o casario branco, as fontes, os solares oitocentistas e os portais góticos, as igrejas, os parques e jardins, os recantos pitorescos e de arquitetura modesta,… e outros mais.

Passeie ao acaso por uma das mais bem preservadas judiarias de Portugal, deixe-se encantar pelo charme da sua memória medieval e descubra na toponímia a presença judaica. Encontre nas portas de granito sinais do culto de gerações hebraicas, visite a antiga sinagoga e beba das águas “medicinais” nas fontes que vai encontrar ao longo do percurso. Refresque-se nas águas termais da Fonte da Vila, à sombra do pequeno alpendre erguido sobre colunas renascentistas e encante-se com esta vila, mas se quiser voltar a Castelo de Vide, beba água da Fonte da Mealhada e traga uma noiva, porque diz o ditado popular que quem bebe desta fonte, volta aqui para casar. Para que possa ter melhor ideia, pelo seu charme Castelo de Vide é atualmente conhecida como a Sintra do Alentejo.

Dicas de visita

Para visitar Castelo de Vide não existem restrições especificas, é uma localidade que pode ser visitada em qualquer altura do ano. Ainda assim, se for no primeiro semestre procure não ir além de maio, porque até esta data a paisagem tem mais encanto.

Quando visitar Castelo de Vide

Sendo esta uma zona muito quente no verão, o julho e agosto requerem as precauções habituais em dias de muito calor. Manter-se hidratado, usar roupa fresca e protetor solar, são iniciativas que deve ter em conta. Se puder aproveite a viagem a Castelo de Vide para visitar Marvão, localizada no ponto mais alto da serra de S. Mamede; e Portalegre, a cidade capital do distrito.

Jardim Garcia de Orta

São boas datas de visitar Castelo de Vide a altura em que ocorrem os seguintes eventos:

  • Festival da Água e do Templo – Clepsidra
  • Viver a História – Mercado Medieval
  • Semana Santa
  • Carnaval Trapalhão

O que ver e fazer quando visitar castelo de Vide


Igreja Matriz de Castelo de Vide

O nosso primeiro ponto de visita foi a Igreja Matriz, ou igreja de Santa Maria da Devesa, por se encontrar perto do local onde estacionamos. É uma igreja com um lindo interior, de nave única, que terá sido construída no local onde existia uma pequena capela que datava de 1311. A construção desta igreja teve inicio em 1789 e prolongou-se por quase 80 anos. No exterior merecem destaque o imponente portal da entrada principal enquadrado numa fachada simples, e a escadaria de acesso em granito ladeada por pilares também em granito e gradeamento. Este templo religioso será provavelmente o maior do Alto Alentejo

Vila medieval de Castelo de Vide

Subimos em direção ao castelo para visitarmos a Vila Medieval localizada no interior das muralhas, um espaço a não perder onde eventualmente terá começado a formar-se o povoado. Logo à entrada, à direita, deparamo-nos com aquele que terá sido o edifício dos Paços do Concelho, uma pequena casa com arco ogival, servida por uma escada exterior, onde os vereadores ditaram as leis e posturas municipais nos séculos XIV e XV (?). A escassos metros daqui existe um miradouro a partir do qual pode ver a Vila quase na sua totalidade, a parte que se desenvolveu fora da cintura muralhada do castelo. Daqui obtém vista privilegiada sobre a Judiaria de Castelo de Vide.

Continuando a calcorrear por aqui, fomos ao encontro de algumas outras maravilhas e outros tantos edifícios que fazem parte da história medieval de Castelo de Vide. Enquanto caminha vai certamente aperceber-se da paixão e delicadeza que as suas gentes têm por flores e por manter as ruas floridas, adornando com montras florais as entradas “bordadas” a granito do acanhado casario, um dos traços distintivos desta vila, tendo existido em anos anteriores concursos relacionados nos quais algumas destas ruas ficaram bem classificadas. A Rua Direita é o eixo principal da vila medieval, ligando a Porta da Vila a sul, com a Porta de S. Pedro a norte.

Rua Direita da Vila Medieval
Rua posterior dos antigos Paços do Concelho
Antigo aquartelamento das forças militares que defendiam a vila medieval.
Rua Direita enfeitada com o trabalhos rendados de alguma ou de várias artesãs. (2019)

Judiaria e Sinagoga de Castelo de Vide

Após visita à Vila Medieval, seguimos em direção à Sinagoga localizada num dos pontos mais elevados da Judiaria. Antes de continuar, a entrada na Sinagoga é gratuita, encerra à segunda feira e em alguns feriados anuais. No horário de verão fecha às 17:45 e no inverno uma hora mais cedo.

Conteúdos Expositivos

  • Sinagoga Medieval
  • O Bairro Judeu de Castelo de Vide
  • Os Judeus de Castelo de Vide e a Diáspora
  • As celebrações anuais e os rituais diários
  • Em memória dos Castelo-Videnses vítimas da Inquisição
  • Sala Polivalente
      Sinagoga de Castelo de Vide

      Não se sabe ao certo quando terá sido a sua fundação, sabe-se apenas que a Judiaria de Castelo de Vide já existia no século XIV e era constituída por um conjunto de casas junto à porta principal do castelo. Nesse conjunto de casas encontra-se o edifício que é considerado a Sinagoga, encontra-se situado na Rua da Judiaria, ou Rua da Fonte. É constituído por um só volume, com dois pisos, e é vulgarmente designado por “Sinagoga”, era o edifício onde se reunia a comunidade judaica que habitou em Castelo de Vide até ao séc. XV. Junto à saída da Sinagoga pode ler-se uma frase proferida pelo presidente da república Dr. Mário Soares aquando uma visita a Castelo de Vide que diz o seguinte:

      Fonte da Vila

      Descemos as estreitas e coloridas ruas da Judiaria em direção à Fonte da Vila, prosseguindo até encontrarmos a Porta de Santa Catarina. No regresso passamos pelas termas de Castelo de Vide, que na atualidade se encontram encerradas, infelizmente.

      Ao fundo da imagem o edifício das termas de Castelo de Vide

      A qualidade das águas de Castelo de Vide já são referência há largos anos. Uma das primeiras a ser reconhecidas terão sido as águas da Fonte da Vila, localizada num pequeno largo na zona mais baixa da Judiaria. A edificação atual desta fonte deverá remontar ao reinado de D. João III, acreditando-se que já antes esta fonte tenha sido ponto gerador do próprio sistema urbano medieval. Uma análise feita em 1918, permitiu concluir a importância destas águas para tratamentos termais e em consequência, em 1940 teve início a construção do balneário, que funcionou até 1990 e para onde o caudal da fonte foi desviado na totalidade. As termas incluíam um “buvette”, uma vez que estas águas se consideram adequadas para tratamentos por ingestão.

      A julgar pelo desgaste nas pedras que formam o tanque para onde cai a água da fonte, acredita-se que em tempos este tenha sido um lavadouro muito usado pelas gentes locais. Aqui se pode empregar uma frase já muitas vezes usada:

      Junto a esta fonte, tal como no exterior da Sinagoga, encontra-se uma frase do ex-presidente da república Dr. Mário Soares, gravada num memorial em pedra mármore que diz o seguinte:

      17 de Março de 1989

      Casa da Inquisição

      Subimos a Rua Nova para o próximo ponto de visita, a Casa da Inquisição, onde ficamos a conhecer melhor e de forma mais “próxima” o sofrimento a que os Judeus foram sujeitos no sentido de se converterem ao cristianismo. A Casa da Inquisição encontra-se instalada numa casa setecentista de grande valor histórico e arquitetónico, onde um centro interpretativo desloca o visitante para um universo histórico-social, acompanhando as diferentes fases de um processo inquisitorial que obrigava os Judeus a converterem-se em Cristãos, sendo desde essa data chamados de Sefarditas.

      Subimos a Rua dos Ferreiros e eis que chegamos a um pequeno largo situado nas traseiras da igreja matriz, junto ao qual uma casa na esquina com a Rua de Santo Amaro foi o local escolhido para almoçarmos. Não se trata de um restaurante e devo dizer que não foi a nossa primeira escolha, é uma pequena tasca, que apesar de modesta serviu-nos com toda a gentileza ao ponto de lá voltarmos se alguma vez que decidamos regressar a Castelo de Vide.

      Ensaio fotográfico sobre Castelo de Vide

      Após o almoço, a quase totalidade da tarde dedicamos a explorar outros tesouros de Castelo de Vide, onde se incluem parques, solares setecentistas, uma rota pela estatuária e arte urbana, e uma visita ao edifício que outrora serviu de estação para os caminhos de ferro.

      Fonte do Montorinho – Largo de Gonçalo Eanes
      Praça Rei Dom Pedro V
      Torres sineiras da Igreja Matriz e Igreja de S. João Batista
      Ermida de Nossa Senhora da Penha
      Estação dos Caminhos de Ferro de Castelo de Vide, atualmente Pensão Destino
      Busto de Salgueiro Maia – Capitão de Abril
      Fonte da Mealhada
      Jardim Garcia D’Orta – Homenagem a três médicos naturais desta terra
      Estatuária e arte urbana. Homenagem do município a Muzinho da Silveira e Laranjo Coelho, dois diplomatas da terra.
      Fonte da Pedra do Alentejo

      Localização e como chegar

      Castelo de Vide fica localizada no distrito de Portalegre – Alto Alentejo. As ligações ferroviárias para Castelo de Vide já não existem, infelizmente, e convenhamos que em Portugal as ligações que ainda existem, pelos preços praticados não são opção. Como alternativa a Rede Expressos tem dois autocarros por dia a ligar Lisboa a Castelo de Vide e vice-versa.

      Se viajar de carro, chegar a Castelo de Vide é fácil. De Lisboa há que seguir pelas autoestradas A1 e A23, antes de entrar no IP2 e finalmente seguir a N246 rumo a Castelo de Vide. A partir do Porto é mais difícil indicar qual a melhor opção, irá depender do gosto de cada um (se prefere o litoral ou o interior) e do tempo que leva disponível.

      Outros locais de visita nas proximidades

      Onde ficar alojado

      Se necessitar de alojamento em Castelo de Vide, na época alta não é fácil conseguir preços muito acessíveis. Deixamos alguns que nos pareceram relevantes.

      • Convento Senhora da Vitória, localizado em zona sossegada e em contacto com a natureza, dista 750m do centro da vila, mas com preços em conta, 9,8 no Booking.
      • Casa do paço Novo, localizado também dentro da vila e com boa pontuação no Booking, 8,4.

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