Visitar Belver e Gavião – Alto Alentejo
Gavião é uma ave de rapina da família dos Acipitrídeos, existente em todos os continentes com exceção da Antártida, encontrando-se habitualmente em bosques densos e terrenos abertos com pequenos matagais. Em Portugal Gavião é também uma vila e sede de concelho, que pertence ao distrito de Portalegre – Alto Alentejo, sub-região do Alentejo. É cruzado pelo maior rio que atravessa Portugal, levando à existência de uma pequena parte do Alentejo na margem norte do rio Tejo, onde se encontra a bonita vila e freguesia de Belver.

Gavião começou a ser povoado no século XII, vindo a receber o primeiro foral em 1516, durante o reinado de D. Manuel I, quando foi elevada à categoria de Vila e lhe foram atribuídos todos os privilégios e direitos necessários ao bom funcionamento de um município. Ao longo dos anos, a vida por aqui tem sido discreta e marcada pelo ritmo, regularidade e pacatez, que o afastamento dos grandes centros urbanos proporciona, tal como todas as outras que se encontram afastados do mediatismo político nacional. Visitar este município e tudo o que lhe está associado, é sinónimo de fugir à rotina e à azáfama vivida pelo litoral.

A pequena parte de território do município de Gavião, que existe na margem direita do Rio Tejo e que desconhecíamos pertencer ao Alto-Alentejo, foi incentivo suficiente para seguir Estrada Fora e palmilhar um pouco por terras Gavianenses, mas foi na pequena vila de Belver, sobranceira ao Rio Tejo, que fomos encontrar as surpresas mais agradáveis. Do outro lado do rio, na margem oposta, os conhecidos passadiços do Alamal fazem a ligação entre a ponte de Belver e a praia fluvial.
Partimos à sua descoberta…

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Conteúdos deste artigo
- Estrada nacional N118 Alcochete – Alpalhão
- Castelo de Belver
- Caminho da Fonte Velha
- Museu do sabão – Belver
- Núcleo museológico das mantas e tapeçarias de Belver
- Passadiços do Alamal
- Rota da Sirga PR8
- Memorial de amor – baloiço de Gavião
- Praia fluvial do Alamal
- Museu da Arte da Atrelagem de Gavião
- Outros locais de interesse em Gavião e na periferia
- Localização e como chegar
- Outros locais de visita nas proximidades
- Vídeo publicitário sobre Gavião
- Recomendações de onde ficar alojado quando visitar Gavião
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Estrada nacional N118
Se é apaixonado/a por roadtrips, por aqui passa uma das estradas nacionais que vale a pena percorrer. São cerca de 200 km que iniciam em Alcochete e terminam em Alpalhão, depois de uma grande diversidade ao longo do seu percurso e sempre pela margem sul do Rio Tejo. Falo da N118, que atravessa a lezíria Ribatejana e concede o acesso a aldeias avieiras, pontes históricas, cultura vinícola, cavalos, touros e muito mais.

Para percorrer esta estrada e visitar um pouco de tudo o que lhe fica próximo, o ideal seria um fim de semana prolongado, porque ao chegar a Alpalhão vai querer prolongar a roadtrip até Castelo de Vide e Marvão, e passar pela N246-1, a famosa Alameda dos Freixos.
Castelo de Belver
Construído num altaneiro monte granítico e usufruindo de vistas panorâmicas, o castelo de Belver é considerado um dos mais completos da arquitetura militar medieval Portuguesa. Foi o primeiro a ser construído em Portugal pela ordem dos Hospitalários e encontra-se em posição dominante sobre o rio Tejo e toda a sua envolvência. Durante o reinado de D. Sancho II guardavam-se aqui os dinheiros do tesouro real e a tradição popular, afirma que Luís de Camões esteve aqui encarcerado.

O interior das muralhas alberga a pequena capela de São Brás, de arquitetura simplista. No interior da capela, mais precisamente na capela-mor, podemos admirar o magnífico retábulo quinhentista de influência italiana, uma magnifica obra de grande elaboração artística, onde na zona central se encontra São Brás ladeado por um conjunto de nichos menores que acolhem relicários e outras imagens.

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Belver é uma vila Alentejana, sendo a sua localização geográfica (Alentejo a norte do rio Tejo) a principal “alavanca” motivadora da nossa visita. Encontra-se encastrada numa pequena encosta onde se eleva o seu majestoso castelo, de planta circular. Com o rio a seus pés e detentora de paisagem singular, grande parte do seu casario mantém a traça original da região a que pertence, o Alentejo.

Caminho da Fonte Velha
No percurso de acesso à Fonte Velha, que começa junto da Igreja Matriz, pode contemplar as belas paisagens das encostas do Rio Tejo, assim como diversas figuras gravadas na pedra e cravadas na parede que ladeia o percurso até à fonte. É um trajeto curto, fácil de percorrer e com paisagem arrebatadora, por isso o consideramos imperdível numa visita a esta localidade.




Museu do Sabão – Belver
Em Belver, foi outrora instalada uma fábrica de sabão que funcionou em regime de monopólio régio. Em consequência e, aproveitando os conhecimentos adquiridos e a disponibilidade das principais matérias primas, alguns operários criaram em casa as suas próprias industrias artesanais, conseguindo dessa forma algum rendimento extra. Eram pequenas produções, de caráter familiar, que ficaram conhecidas por casas de Sabão Mole. A produção era depois transportada para fora do concelho pelos almocreves, ou em barcaças pelo rio Tejo.

Reutilizando a antiga escola primária, após transformada aqui se instalou este Museu, que pretende divulgar os conhecimentos adquiridos pelos antepassados e homenagear a memória coletiva dos saboeiros da terra. Além da arte de fazer sabão, o visitante pode ver também alguns produtos contemporâneos e uma coleção de miniaturas oriundas da hotelaria. Um espaço a não perder que vale a pena visitar.

Núcleo Museológico das Mantas e Tapeçarias
Outro ponto de interesse relevante é o Museu das Mantas e Tapeçarias junto à ponte de Belver, onde uma guia local lhe apresenta a história deste museu e lhe dará todas as informações ligadas a esta atividade. Prepare-se para uma viagem no tempo na qual regressamos a uma época em que o tear de pedal tinha importância relevante na comunidade operadora, quando os sons que produzia faziam parte do quotidiano e da cultura das populações rurais.


Reviva os costumes do passado através do contacto com os teares, com as matérias-primas e outros instrumentos que eram usados na altura. Neste espaço museológico, onde se preserva a memória e o saber único da tecelagem artesanal, aqui vai encontrar exemplos de peças únicas e exclusivas da fábrica Natividade Nunes da Silva

Passadiços do Alamal
Pela margem esquerda do rio Tejo, ao longo de uma extensão aproximada de 1.6 km, os passadiços do Alamal fazem a ligação da praia fluvial do Alamal com a ponte de Belver, constantemente vigiados lá do alto pela “fortaleza medieval”. Ao longo do percurso podemos observar a diversidade ripícola e a fauna existente por aqui, sendo comum encontrar milhafres, garças,… e nos meses mais frios os corvos marinhos no leito do rio, em cima de alguma rocha a apanhar banhos de sol.


Este percurso pode ser percorrido isoladamente, ou servir de elo de ligação entre a praia fluvial do Alamal e a Rota da Sirga, e porque não a primeira fila para ver passar o comboio na margem oposta. É um percurso fácil, totalizando a ida e volta pouco mais 3km. Convém referir que quando o percorremos, a zona mais próxima da ponte de Belver encontrava-se um pouco degradada, requerendo alguns cuidados ao caminhar.
Com as cheias do inicio deste ano (2026) desconhecemos como se encontram.



Rota da Sirga-PR8
O traçado deste percurso permite percorrer toda a extensão do rio Tejo que pertence ao município de Gavião, dando vida aos caminhos outrora usados pelos pescadores. Parte do percurso é feito sobre muros de sirga, estrutura que serviu para homens e animais puxarem as embarcações rio acima, quando o Tejo era navegável. Por acharmos ser um trilho aliciante tentamos percorre-lo, mas à data não se encontrava em condições, em algumas zonas começamos a encontrar mato denso e por isso o trilho impraticável.


A galeria ripícola por onde passa o percurso é de uma riqueza única, onde se desenvolvem amieiros, freixos, salgueiros, vimieiros, entre outros. Nas encostas podemos ver oliveiras plantadas em pequenos aglomerados de terra, sustentados por muretes de pedra seca, tipo socalcos, formando pequenos patamares que recolhem a água em proveito das oliveiras e facilitam a colheita da azeitona.
Sobre a fauna, existem fortes possibilidades de encontrar alguns necrófagos por aqui, como é o caso dos grifos, uma espécie de abutres de grande porte, que do alto dos penhascos rochosos observam os caminhantes que se aventuram por estas paragens.




Memorial de Amor – Baloiço do Gavião
Situa-se no na encosta da margem esquerda do Tejo, na descida para a praia fluvial do Alamal e baloiça oferecendo uma sensação de liberdade com vistas magnificas sobre o Rio Tejo. Na margem oposta pode ver-se a linha da Beira Baixa e Belver, com o castelo sempre vigilante. Junto ao baloiço foi “erguido” um memorial de Amor, que possibilita aos apaixonados a colocação de uma recordação ou jura de amor na sua estrutura.

Praia Fluvial do Alamal
Esta praia fluvial encontra-se integrada num cenário deslumbrante na margem esquerda do Tejo. Apesar do nível baixo, junto à linha de água, a partir do areal a vista é magnífica. No topo de uma colina avista-se o castelo de Belver, aparentemente discreto mas sempre presente, que se destaca na paisagem onde a vegetação contrasta com as águas que banham as areias da praia fluvial. Na margem oposta avista-se a linha da beira baixa onde periodicamente circula alguma composição.

O sossego e a paisagem cativam quem a frequenta, mas existem outros atrativos na periferia, motivos mais que suficientes para uma escapadinha até este “paraíso”. Aqui o tempo corre de vagar. Além das infraestruturas e apoios habituais, para quem quer prolongar a estadia pelo dia seguinte pode acampar junto à praia numa área definida apenas para tendas, sendo necessária prévia autorização da Câmara Municipal de Gavião.


Museu de Arte e da Atrelagem – Gavião
Instalado na reabilitada casa da família Pequito Rebelo, junto à Praça do Município de Gavião (junto da igreja matriz e dos paços do concelho), o museu da arte e da atrelagem alberga uma coleção um pouco diversa de carros de atrelar, entre os quais algumas luxuosas relíquias e outros acessórios habitualmente usados na época em que este era o meio de transporte mais evoluído. Alguns exemplares continuam a ser considerados luxo nos dias atuais. Este é um museu rico em conteúdo que recomendamos vivamente…




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Outros locais de visita em Gavião e na periferia
Não muito longe da praça, ou largo do município, encontra-se a Casa da Torre, uma habitação com história construída em finais dos anos 20 do século passado, fim dos tempos da Arte Nova, sendo também aquela que foi considerada a mais alta da população. Por ser a mais alta, anos mais tarde os serviços cadastrais pediram para ser instalado um marco geodésico na cobertura, simbolizando o ponto mais alto nesta zona.

A escassos metros da Casa da Torre encontra-se o pelourinho de Gavião, erguido no século XX, sendo talvez o mais recente erguido em Portugal. Do mais antigo, aquele que foi erguido aquando a elevação de Gavião a vila por foral de D. Manuel, nada se conhece.

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Além dos pontos de visita anteriormente mencionados, existem outros locais de interesse na periferia localizados nos municípios vizinhos. A jusante da praia fluvial do Alamal encontra-se a Barragem de Belver e tirando proveito desta albufeira, o município de Mação construiu nas suas margens a praia fluvial da Ortiga, de caraterísticas muito semelhantes à praia fluvial do Alamal e com parque de campismo a meia centena de metros.

A montante pode visitar a bonita localidade de Amieira do Tejo e o seu castelo, no município de Nisa. O castelo de Amieira do Tejo tem a particularidade de contradizer um pouco os restantes quanto à localização onde se encontra implantado, neste caso, numa zona de baixo relevo, quando a quase totalidade dos restantes se encontra no cimo de uma colina.

Localização e como chegar
Gavião e o seu município ficam localizados junto ao Rio Tejo, no fim do primeiro terço de distância que este rio percorre em território português. A melhor forma de chegar a Gavião é fazendo uso da estrada N118, que liga Alcochete a Alpalhão. Se vier do norte, o ideal é usar a autoestrada A1 e posteriormente a A23, saindo depois para a N244 em direção a Belver.
Ver mapa maior
Outros locais de visita nas proximidades
Não muito longe daqui existem alguns lugares de interesse relevante que pode visitar, embora cada um tenha a sua data mais específica.
- Veja aqui um artigo sobre Constância e o nome “curioso” que esta vila teve outrora.
- Uma vez que se encontra junto ao Tejo, conheça as suas pontes históricas da arquitetura do ferro.
- Faça uma visita à capital de distrito, Portalegre e conheça a arte singular das suas tapeçarias.
- Visite Castelo de Vide, a “Sintra” do Alentejo. Percorra a alameda dos freixos e visite também a histórica Vila de Marvão.
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Vídeo publicitário sobre Gavião
Onde ficar alojado em Gavião
Tal como noutros lugares, por aqui a oferta é igualmente diversa.
- Se pretende alojamento nas proximidades da praia fluvial do Alamal, o Alamal River Club é certamente o que procura, mas reserve com alguma antecedência.
- Com classificação de excelência tem a Casa dos Rosas, alojamento local com jardim e piscina exterior.
- Se é amante da natureza tem o Glamping Gavião Nature Village. Para conhecer melhor este tipo de alojamento o melhor é seguir o link anterior.
- Na margem norte do Tejo, na bonita localidade de Belver tem a Casa do Castelo, com vistas para o rio e em zona sossegada, ideal para acumular energia durante um fim de semana.
Se nenhuma destas opções vai ao encontro das suas preferências, faça a sua seleção através dos nossos links.
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