S. Pedro de Möel

São Pedro de Möel é um lugar pertencente à freguesia e concelho de Marinha Grande, situado na orla costeira contigua ao pinhal de Leiria, na região oeste, numa zona de costa mais ou menos acidentada com algumas praias pelo meio. Dista cerca de 8 km da cidade sede de concelho, com ligação a esta por uma estrada que serpenteia por entre dunas de areia, atualmente “desnudadas”, onde até ao ano de 2017 se encontrava o pinhal do rei, ou pinhal de Leiria, se preferir, quase extinto por completo nos incêndios desse mesmo ano.

____________

Conteúdos deste artigo

____________

História

Segundo a história, S. Pedro de Möel terá sido doado em carta passada por D. Afonso Henriques ao Mosteiro de Alcobaça, havendo possibilidade de já existir antes ainda da nacionalidade, no entanto acredita-se ser mais provável que a sua origem tenha iniciado no reinado de D. Fernando, altura em que S. Pedro de Möel substituiu o velho porto de Paredes da Vitória, uma praia do concelho de Alcobaça situada mais a sul.

Ao longo da história, S. Pedro de Möel vai conhecer um porto de embarque, uma serração de madeira, uma fábrica de resinas e vários armazéns em frente ao porto. Na sequência de um incendio, estes edifícios acabaram extintos e as correntes marítimas tornaram o porto impraticável, sendo hoje inexistente. Mais tarde foi construído o farol de aviso à navegação marítima e vigilância do pinhal, iluminação publica com candeeiros a petróleo,… e em novembro de 1923, o povoado, que antes pertencia às matas nacionais foi entregue à Câmara Municipal da Marinha Grande, que o urbanizou e desenvolveu de forma controlada.

Estátua dos reis – Rei D. Dinis e Rainha Santa Isabel

Apesar do interesse dos veraneantes por esta praia partir do século XV, é durante o século XX que S. Pedro começa a ser procurado por pessoas de estatuto social mais elevado, famílias com poses económicas acima da média, nomeadamente comerciantes abastados, mas principalmente empresários da Marinha Grande e Leiria, havendo outras famílias, também abastadas, que vieram de zonas mais longínquas, construindo ou comprando casas que utilizavam durante as férias ou nos fins de semana. Outras pessoas mais pobres que por lá habitavam, como as famílias Boiça, Moiteiro e Tojeira, que eram originárias do lugar, trabalhavam na agricultura e na pesca, atividade que complementavam com o papel de banheiros, (nadadores salvadores) e por isso muitas pessoas lhes ficaram a dever a vida.

Largo do Moinho – Referência ao moinho que existiu ali próximo.

Por ser uma praia com elevada procura e pouco extensa para construção, levou a que nos anos 60 fossem construídas algumas estâncias hoteleiras. No final dos anos 60 foi iniciado o processo de construção do complexo de piscinas, que veio a ser inaugurado pelo presidente da republica Américo Tomás, tendo para tal sido demolido um moinho que por ali existiu, e mais tarde também o casino, para dar lugar a um café e casas de banho publicas. O casino ainda é recordado com alguma saudade pelas pessoas de idade mais avançada, e as piscinas que outrora foram um ex-libris desta localidade, encontram-se agora completamente degradadas, com as infraestruturas a caminhar a passos largos para o estado ruinoso (possivelmente por influência da maresia). É por este passado de turismo abastado que muitas pessoas vêm esta praia como sendo elitista, embora cada vez mais utilizada por pessoas de diversos estratos sociais.

Praça – Afonso Lopes Vieira

Dicas para visitar S. Pedro de Möel


Quando visitar S. Pedro de Möel

S. Pedro de Möel é uma praia do tipo urbana, com outras do tipo não urbanas pelas zonas limítrofes. É uma zona que pode ser visitada em qualquer altura do ano, com os respetivos cuidados a tomar em função da época e do clima. Sendo uma praia com algumas falésias, os espetáculos da ondulação no inverno podem ser maravilhosos, mas também podem ser trágicos!… por isso há que evitar as zonas de risco. Na época de veraneio deve tomar as precauções habituais, como noutra praia qualquer. Ao contrário do que se diz não é uma praia de águas frias, mas tenhamos em conta que fica situada no litoral, não no Algarve.

Praia da Concha

Onde ficar alojado quando visitar S. Pedro de Möel

Nas opções de alojamento que existem por aqui incluem-se dois parques de campismo, o Campigir e o Orbitur. Sendo caravanistas, fizemos uso dessa forma de estar e a nossa preferência caiu sobre o Campigir, principalmente por ser o parque que ficava menos isolado e mais perto das praias. No ramo hoteleiro, (experiência não vivenciada por nós) o Hotel Mar e Sol é de todos o que tem melhor vista para o mar, mas existem outras opções a ter em conta aparentemente boas.

Como deslocar-se quando visitar S. Pedro de Möel

Se o clima não estiver chuvoso e gosta de pedalar, um dos meios que recomendo para se deslocar entre as praias é sem dúvida a bicicleta. A estrada do atlântico é acompanhada por uma pista pedonal e ciclável em todo o seu percurso, que lhe permite pedalar sem incidentes rodoviários. Além do exercício físico, sentir a brisa marítima enquanto pedala é algo único que apenas consegue à beira-mar. Caso não se faça acompanhar de bicicleta recomendo a caminhada, deslocar-se de carro entre as diversas zonas que pretende visitar, e uma vez lá, fazer caminhada. Existem por aqui diversos percursos pedestres, com grau de dificuldade fácil que pode fazer.

Estrada do Atlântico (Sitio da Nazaré – Praia do Pedrógão)

Veja aqui uma sugestão para passar um fim-de-semana semelhante na Praia de Mira


Encantos de S. Pedro e praias limítrofes


Praia do Samouco

De norte para sul, nas praias limítrofes temos a praia do Samouco, uma praia não vigiada, mas de areal extenso. Nesta praia chegou a existir um pequeno povoado nas dunas, formado por barracas de madeira habitualmente usadas apenas nos fins de semana e épocas de veraneio. Foi extinto há cerca de três décadas por imposição de normas ambientais, por atualização do plano de ordenamento da orla costeira (POOC) e por serem construções ilegais. O acesso a esta praia, tal como as outras que se seguem, faz-se a partir da estrada do atlântico, seguindo por um caminho em terra batida com um parque de merendas pelo meio, onde existem algumas mesas de picnic e nascente de água.

Esta será, provavelmente, a melhor de todas as praias do concelho da Marinha Grande, embora não disponha de qualquer infraestrutura de apoio balnear.

Praia das Pedras Negras

Praia de acesso por caminho em terra batida (tout venant), um pouco isolada, de areal extenso, mas areia um pouco mais grossa que a da praia anterior. Foi vigiada até à última época balnear (2022), desconhecendo-se se continuar a ter vigilância uma vez que foi removido o bar de apoio que ali existia. É uma praia cujo mar oferece condições para a prática de desportos náuticos e onde se pode ver um maravilhoso por do sol.

Praia Velha – S. Pedro

Esta é a praia com maior extensão de areal, mais próxima de S. Pedro de Möel, possivelmente um recurso à praia de S. Pedro, se o mar continuar a apoderar-se do seu areal. Junto a esta praia, no extremo mais a norte desagua a Ribeira de Möel, formando no areal pequenas lagoas ideais para diversão dos mais pequenos. Por ser uma praia de águas fundas requer algumas precauções quando se trata de ir a banhos. Espaçosa e ideal para desportos na areia, como por ex.: voleibol, esta praia é de areias um pouco grossas e apoiada por dois bares, um em cada extremidade.

Praia da Concha

O nome desta praia deriva da sua configuração. É uma praia pequena, de encostas escarpadas e condições limitadas para ir a banhos devido aos inúmeros rochedos na zona de ondulação. No entanto, por ser uma praia pequena e situada entre arribas, obtém delas a proteção ideal para banhos de sol em dias ventosos. Nas zonas de mar laterais a esta praia, em dias soalheiros de inverno, algumas vezes é possível ver um espetáculo natural originado pela ondulação mais forte após embate nas rochas.

Praia de S. Pedro de Möel

Situada na parte mais baixa do povoado, esta é uma pitoresca praia, abrigada na concha de um colorido casario, onde nos dias atuais ainda se lhe nota algum ar aristocrático. O acesso a esta praia faz-se por uma rua de sentido único, passando pela praça Afonso Lopes Vieira, algumas vezes invadida pela ondulação do mar nos invernos mais vigorosos. No extremo norte encontra-se o restaurante Estrela do Mar, encastrado na escarpa e com vista privilegiada para o mar, logo seguida da casa onde Afonso Lopes Vieira se inspirava e escrevia as suas poesias. A corrente marítima dos últimos anos tem vindo a ser nefastas para o areal desta praia, que a cada ano que passa vai ficando mais diminuto. No extremo sul encontram-se as piscinas, um espaço que até há uns anos atrás era um ex-libris para esta praia, hoje não passam de um embuste na paisagem.

Praia de Água de Madeiros

Do conjunto de todas as praias deste artigo, esta será, eventualmente, a praia do tipo urbana menos frequentada. Nesta praia existe um pequeno ribeiro que faz divisão entre os concelhos de Marinha Grande e Alcobaça. O areal da zona norte, um pouco rochoso junto ao ribeiro, prolonga-se até à praia de S. Pedro de Möel. É uma praia não vigiada, com algumas arribas, estacionamento reduzido, embora procurada por amantes da pesca desportiva.

Na zona sul, pertencente ao concelho de Alcobaça, existe estacionamento em abundância e a praia é vigiada, mas as correntes marítimas não tem poupado esta praia, havendo alguns anos onde na época de veraneio o areal era quase inexistente.

Praia da Pedra do Ouro

Praia do tipo urbana, com areal extenso, nesta altura do ano bastante afetada pelas correntes marítimas que a deixam quase sem areal (mês de dezembro). Durante a maré baixa permite ligação à praia vizinha mais a sul, possibilitando longas caminhadas à beira mar, enquanto na maré alta pouco espaço fica para estender a toalha. É uma praia de areal branco, que contrasta com a cor negra das arribas. Acredita-se que o nome desta praia está relacionado com a presença de omonites piritizadas de cor dourada. É uma praia vigiada, cujo acesso se faz pela zona sul do povoado, onde existe uma descida que leva a zona de estacionamento, bar, sanitários públicos e acesso à zona vigiada.

Praia da Polvoeira

É uma praia do tipo não urbana, em forma de baía e por isso de mar mais calmo, com zona vigiada, rodeada de arribas e zonas rochosas a norte e a sul. Para melhor perspetiva sobre esta bonita praia o ideal é subir à arriba do lado sul, que pode ser acessada por um passadiço com início à beira da estrada do atlântico, ou no início da descida para a praia das paredes. Essa zona elevada é também o lugar onde levantam voo os amantes de parapente. Esta é uma praia de acesso por caminho em terra batida (tout venant), onde é possível estacionamento em linha de ambos os lados, contando com a parte desagradável no fim da tarde, o pó, tal como acontece no acesso à Praia das Pedras Negras. Esta praia concentra uma grande biodiversidade, com destaque para a concentração de polvos na zona de fundo rochoso no extremo norte.

Praia de Paredes da Vitória

Situada num vale limitado por duas encostas, é atravessada pela Ribeira de Paredes, que ao longo do ano serpenteia pela praia encontrando sempre o caminho para o mar. É uma praia do tipo urbana com um areal vasto, limitado a norte por um rochedo ao qual deram o nome de “Castelo das Paredes” e serve de fronteira com a praia vizinha, a praia da Polvoeira. Pelas condições que apresenta, neste extremo possui infraestruturas adequadas à prática de parapente, que trazem cor aos céus ventosos destas duas praias. No fundo do vale, zona central do povoado, é onde se concentra a quase totalidade da atividade desta praia, tais como explanadas, restaurantes, e outras infraestruturas adequadas à prática de veraneio.

Nesta praia existiu um porto que desde cedo assumiu grande importância para a região (séculos XII e XIII, e mais tarde sob domínio do Couto Cisterciense do mosteiro de Alcobaça), a partir do qual eram exportados os produtos agrícolas regionais.

Nas possibilidades de alojamento por aqui, no extremo sul existe um parque de campismo com preços muito acessíveis, com um senão face aos demais: os banhos quentes que são pagos à parte e tem o custo de 1 euro por banho.

A quinze de agosto realiza-se a procissão anual em honra de N. Senhora da Vitória, entre Pataias (sede de freguesia) e esta localidade, sendo a viagem realizada com burros, cavalos, tratores agrícolas e bicicletas, devidamente decorados para o evento.

Para os amantes do pedestrianismo, na Capela de N. Senhora da Vitória começa um percurso panorâmico que recomendo fazer. Segue para norte, sempre a poucos metros do mar e vai até à praia de Água de Madeiros. Pode ver aqui a ficha técnica do percurso.

Praia do Vale Furado

Esta é a praia que se situa no extremo sul, do total das praias limítrofes a S. Pedro de Möel apresentadas neste artigo. É uma praia de acesso por estrada até à zona povoada, seguindo posteriormente dois acessos até ao areal por um misto de carreiros e escadas, sendo por isso inadequada para pessoas com mobilidade reduzida ou outras dificuldades motoras.

Apesar do acesso pedonal complicado, a qualidade desta praia e da paisagem envolvente é inquestionável. É uma praia bonita, constituída por uma pequena baía logo no início, zona de areal mais extenso e grandes falésias, corroídas pela erosão causada principalmente pelas intempéries invernosas, que lhe dão a aparência de algumas praias algarvias, e servem de proteção em dias de veraneio ventosos. É limitada a norte e a sul por zonas rochosas, sendo a zona mais a norte vigiada e lugar de eleição para banhos, onde se encontra a baía. É atravessada por uma ribeira, tal como outras praias anteriores, com a pequena cascata junto ao areal a ser o cenário preferencial para registos fotográficos.

Junto à zona de estacionamento existem dois bares onde pode beber um café, ou uma imperial refrescante ao fim da tarde, com o mar como pano de fundo a completar o cenário deste agradável momento. O parque de estacionamento inclui um miradouro a partir do qual pode observar, para sul, os contornos do litoral bem como o mar desta maravilhosa praia. Como pontos negativos, nesta praia os apoios balneares são escassos, existindo apenas nadador salvador, e a cascata referida anteriormente em substituição dos chuveiros.

________________

S. Pedro de Möel

Para quem chega, S. Pedro apresenta-se como um desconhecido oásis urbano, que se vai revelando à medida que descemos as suas ruas. A beleza das casas, na sua maioria bem preservadas, algumas de empresários já deste tempo…; o colorido das fachadas, os arranjos florais das varandas e das ruas, dão a esta vila um ar singular e único, que não tem par nas restantes povoações deste concelho.

S. Pedro é uma das mais pitorescas praias da costa portuguesa, que conseguiu passar ao lado das grandes construções de betão dos finais do século passado. As noites passadas aqui são calmas, como pedem os dias de praia, ou de caminhada pelos percursos pedestres aqui existentes. O complexo de piscinas, cujo bar ali existente era o principal ponto de diversão noturna nas noites deste lugar, deixou atividade à cerca de uma década, sendo provável que nada semelhante volte a ser construído no mesmo lugar.

Melhor do que descrever S. Pedro de Möel é percorre-lo e ver com seus próprios olhos, e para isso deixo algumas fotografias que acredito sejam incentivadoras. Em primeiro lugar recomendo descer até à praça Afonso Lopes Vieira. Tome um cafezinho por ali e comece o passeio no sentido ascendente. Esta é em minha opinião a melhor forma de apreciar S. Pedro e os seus encantos.

Farol do Penedo da Saudade

Consta-se ter sido aqui que a Duquesa de Caminha, D. Joana Juliana Maria Máxima de Faro, filha benquista dos Condes de Faro, após enviuvar vinha chorar diariamente a morte de seu esposo, Duque de Caminha, executado em 1641. Assim nasceu a lenda e daí resulta o nome deste imponente rochedo, “Penedo da Saudade”, no cimo do qual se encontra atualmente o farol de aviso à navegação marítima com o mesmo nome: Farol do Penedo da Saudade.


Outros pontos de interesse e outras imagens.

Nos percursos pedestres existem alguns que recomendo percorrer, entre eles a “Volta dos Sete”, cujo nome vem da sua extensão. Este percurso tem uma parte panorâmica, entre a vila de S. Pedro e a foz da Ribeira de Moel; um troço por pinhal, entre a estátua dos Reis e a Ribeira de Moel; e outra parte pelas margens da Ribeira de Moel. Pode ver aqui o mapa do percurso.

Caso tenha interesse, pode ver aqui outros percursos pedestres para percorrer quando visitar S. Pedro de Möel.

____________

Pinheiro com forma incomum devida à ação agressiva dos ventos marítimos
Rola do Mar
Ribeira de Möel

Localização

Para chegar a S. Pedro, venha do norte ou do sul o ideal é apanhar o IC2. Quando chegar a Leiria segue com destino à cidade de Marinha Grande (cidade Vidreira), e na rotunda no centro desta cidade segue em direção a S. Pedro de Möel. Pela autoestrada tem a A17, saindo na saída para Marinha Grande.


Operário Fabril no ramo da metalurgia. Apaixonado pela natureza, pelas diversas culturas e por conhecer lugares novos.

Deixe um comentário usando o formulário, o endereço de e-mail não ficará visível.

Bem Haja…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s