Campo Maior

Um pouco do que ver e fazer pela terra das flores de papel, do comendador Rui Nabeiro, e do Café.

Campo Maior é uma serena e pacata vila do alto Alentejo, próxima da fronteira com Espanha. É conhecida pela simpatia das suas gentes, pela arte sem igual de fazer florir o papel e pelo seu café…, é uma vila que recebe de braços abertos quem a visita. Diz a lenda que a povoação foi fundada por vários chefes de família que viviam dispersos no campo, e para maior proteção resolveram agrupar-se. Ao descobrirem um espaço aberto, um deles diz para os outros: “Aqui o campo é maior”(…).

Localização

Campo Maior é vila e sede de concelho, que fica situada no alto Alentejo, distrito de Portalegre, a cerca de 10 km da fronteira com Espanha, tendo em Espanha a cidade de Badajoz em situação semelhante em relação à fronteira, e em linha com campo Maior.

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Conteúdos deste artigo

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Quando visitar Campo Maior

Campo Maior pode ser visitado em qualquer altura do ano, no entanto, sendo esta uma zona quente onde no verão a temperaturas ultrapassam muita vez os 35 graus, recomenda-se visita nos meses mais frescos ou de temperatura mais amena, não sendo muito aconselháveis os meses de Julho e Agosto. O mês de Setembro, aquando as festas do povo, ou festa das flores, pode ser uma boa aposta. Se for essa a data escolhida prepara a sua visita com antecedência, porque a hotelaria por aqui facilmente esgota.

História

Ao chegar a Campo Maior implica, desde logo, dar de caras com o seu imponente castelo, Guardião e protetor do casario branco, e testemunha incontornável de séculos de história, que fizeram desta vila raiana uma referência no Alentejo.

Estima-se que Campo Maior tenha sido uma povoação romana, dominada por mouros e reconquistada em 1219 por cavaleiros cristãos da família Pérez, de Badajoz, passando desde então a ser uma aldeia do concelho de Badajoz. Foi elevada a vila em 1255, por D. Afonso X de Leão e Castela, e em 1260 é-lhe concedido o primeiro foral pelo senhor da vila, o bispo D. Frei Pedro Pérez. Com o tratado de Alcanizes, em 1297 Campo Maior passa de novo para domínio Português, juntamente com Ouguela e Olivença.

Vila de Campo Maior

Da sua história fazem parte vários acontecimentos marcantes ao longo dos anos, (…) mas terá sido em Setembro de 1732 que possivelmente se terá dado o acontecimento mais marcante de que reza a história de Campo Maior. Pelas 3 horas da manhã do dia 16 desencadeia-se uma violenta trovoada e o paiol do castelo é atingido por um raio, desencadeando de imediato uma violenta explosão, seguida de um incêndio, que arrastou consigo cerca de dois terços da população. No paiol encontravam-se armazenadas 6000 arrobas de pólvora e 5000 munições, (cerca de 87 toneladas de explosivos), números grandes mesmo nos dias de hoje.

Sendo Campo Maior um importante centro militar próximo da fronteira, D João V determina a rápida reconstrução do castelo. Aos poucos a vila vai erguer-se das ruínas e voltar a ocupar o lugar de primeira linha nos momentos de guerra, bem como de trocas comerciais e relacionamento pacífico com os povos vizinhos de Espanha.

Urbanização alentejana antiga, com suas típicas chaminés

No inicio do século XIX Campo Maior volta a sofrer grande agitação ao ser cercada por Espanhóis, e mais tarde pelas invasões Francesas, mas a sua resistência foi tal, que deu tempo à chegada de reforços Luso-Britânicos, pondo em debandada as tropas Francesas.

Em 1867 a população defendeu a soberania municipal com uma greve geral coletiva, e em 1926 foi-lhe acrescida a única freguesia rural, Nossa Senhora dos Degolados.

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O que ver e visitar em Campo Maior

Edifício dos passos do Concelho de Campo Maior

Os Paços do Concelho, é o edifício onde se encontra instalada a Câmara Municipal e vários dos seus serviços. Este edifício denota ser uma obra notável de arquitetura, composto por sacadas guarnecidas de varandins, com laterais em pedra mármore e padieiras quase se parecendo com frontões, também elas em pedra mármore, duas das quais em formato semicircular. A escadaria igualmente em pedra mármore, tem ao centro um arco em volta perfeita que serve um dos acessos ao rés do chão. Ao centro do edifício, um arco de volta imperfeita permite o acesso à Praça da Republica, e no beirado do telhado, um arco semelhante parece servir de proteção ao brasão durante as intempéries.

Por norma, ou hábito meu, o edifício dos paços do concelho é algo ao qual costumo dar particular atenção. Além de normalmente ser um edifício histórico, como é o caso deste, é a ele que direta ou indiretamente estão ligados grande parte dos funcionários que trabalham para servir a população e o turismo. A sua construção foi concretizada em meados do século XVIII, como atesta a data gravada no Pelourinho (ano de 1740), que está no centro da Praça da República, também chamada de Praça Nova em oposição à Praça Velha localizada na zona do castelo.

Estas “As Casas da Câmara” vieram substituir o antigo edifício com as mesmas funções que se localizava na chamada Praça Velha, junto ao castelo.

Segundo a placa que foi trasladada para o arco de acesso à Praça Nova, o antigo edifício da câmara, o que se situava junto ao castelo, só estaria concluído em 1618, quando reinava em Portugal Filipe III de Espanha.

Pelourinho de Campo Maior (Praça da República)

A estrutura do Pelourinho de Campo Maior foi elaborada em cantaria de mármore. É composta por soco escalonado de cinco degraus quadrangulares, de onde evolui a base trabalhada, e o fuste octogonal ornamentado. Capitel de coxim também octogonal, decorado de mascarões e folhas estilizadas, e ábaco de planta circular octogonal, sobreposta por uma esfera com decoração vegetalista, da qual saem quatro ferros de sujeição recurvos. Sobre o globo, assente numa base quadrada encontra-se a estátua figurando a Justiça, com a balança de ferro numa mão e na outra a espada, que atualmente já não existe.

Na base da estátua, na sua parte dianteira pode ler-se a palavra “IUSTISA”. Segundo informações locais, a escultura deste pelourinho é única no país, tendo sido requisitado em 1903 para o museu de Elvas, e em 1941, a pedido da câmara Municipal voltou para ao lugar dele, onde se encontra atualmente.

Capela dos ossos de Campo Maior

Adjacente à Igreja Matriz encontra-se a Capela dos Ossos, a segunda maior do país. Um monumento que data de 1766, construído em memória das vítimas da explosão, em 1732, do paiol de pólvora do castelo. O seu interior foi totalmente revestido com as ossadas das vitimas dessa tragédia. Em Junho de 2022 não foi possível a visita a este espaço por se encontrar em obras, que segundo informações locais já tinham terminado, mas ainda não se conhecia a data de reabertura.

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Igreja matriz de Campo Maior

A Igreja Matriz de Campo Maior, construída na zona central da vila, está dedicada a Nossa Senhora da Expectação. Edificada entre 1570 e 1646, possui fachada principal tripartida por pilastras embutidas. A parte central apresenta um largo arco de volta imperfeita que forma um nártex, sobrepujado por três janelas, duas com frontão triangular que ladeiam uma central de frontão curvo. A fachada da igreja é delimitada por duas torres sineiras altas, marcadas por pináculos e cobertas por cúpulas.

O interior é amplo, dividido em três naves por altas pilastras que sustentam uma abóbada cruzada. Os diversos retábulos adotam mármores coloridos, deixando uma forte impressão de movimento nos seus diversos jogos de linhas sinuosas. É uma igreja com cariz de uma certa monumentalidade.

Esta igreja veio substituir a antiga Igreja Matriz, que estava localizada no interior do castelo e era dedicada a Santa Clara.

Museu da Arte Sacra

O Museu de Arte Sacra de Campo Maior, propriedade da Igreja da Freguesia de São João Batista, propõe aos visitantes um percurso através da história e da religião, com base numa vasta coleção de pinturas, imagens, peças de mobiliário e de ourivesaria, recolhidas em várias igrejas do concelho de Campo Maior. Estas peças constituem um documento ímpar e uma ilustração da religiosidade dos Campomaiorenses entre os séculos XVI e XX.

Interior da capela museu de Nossa Senhora do Carmo

Este museu encontra-se instalado na capela da N. senhora do Carmo e é paredes meias com a Igreja de S. João batista, que se encontra edificada na rua com o mesmo nome, rua de São João Batista, em pleno centro histórico da Vila de Campo Maior. Esta capela museu constitui uma verdadeira jóia da pureza da arquitetura popular barroca, foi mandada construir pelo padre José Coelho Pereira em 1801, usando como verba para construção as esmolas do povo.

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Igreja de S. João Batista

Esta é a nova igreja de S. João Batista, é de planta octogonal, ao estilo clássico, e duas torres sineiras. O interior é revestido a mármore de duas cores, constituído por coro e cinco capelas de pilastras dóricas caneladas. As suas fundações assentam sobre os restos de uma antiga igreja manuelina do ano 1520 (aproximadamente), vítima da explosão do paiol de pólvora da torre de menagem do castelo, em setembro de 1732.

A qualidade, coerência da conceção arquitetónica e decorativa desta igreja, cuja fundação se deve a D. João V, simbolizam a grandeza da religião e do império.

Portas da Vila de Campo Maior

As Portas da vila, também conhecidas por Portas de Santa Maria, são um dos monumentos mais caraterísticos de Campo Maior, um monumento emblemático, ou ex-libris, sendo também uma das principais entradas para a vila.

Visitar o Lagar Museu (lagar de azeite)

A olivicultura e a produção do azeite, desde os tempos mais remotos tiveram lugar de destaque na vila de Campo Maior. Nos dias atuais a produção de azeite nesta região ainda se mantém, embora num tipo de cultura diferenciada daquela que existiu outrora.

Palácio Visconde de Olivã – Edifício lagar-museu e biblioteca municipal.

Neste contexto, o lagar-museu do Palácio Visconde de Olivã, é um espaço que ilustra uma das mais antigas tecnologias ligadas à agricultura, atividade dominante da economia campomaiorense até meados do século XX. Neste lagar é possível ver um sistema muito utilizado pelas industrias de outrora, onde uma única força motriz (neste caso um motor a diesel de 2 cilindros), fornecia energia a um número diverso de máquinas através de um veio e correia paralela, com sistema de roda falsa, que permitia acionar apenas as máquinas pretendidas. São exemplo disso as rodas duplas iniciais, que forneciam a energia ao veio primário, bem como as rodas do mecanismo da prensa hidráulica, e do moinho – veios secundários.

Lagar Museu

Sendo a água quente uma necessidade constante no processo mais antigo da extração do azeite, (processo ainda hoje utilizado em alguns lagares), era usada uma caldeira para aquecimento de água até perto do ponto de ebulição. Esta caldeira presente no museu, poderá ter tido outras funções antes do lagar ser equipado com o motor a diesel, ajudando, por exemplo, no fornecimento de vapor a alguma locomóvel semelhante a esta. Esta dedução tem por base o processo de funcionamento referido num artigo sobre o lagar da família “Minas e Mocinha”, através da qual operaram provisoriamente os mecanismos por ela comandados .

Exemplos diversos de utilização do azeite

Ao criar este espaço museológico, a Câmara Municipal de Campo Maior teve a preocupação de lhe imprimir uma forte componente pedagógica, de forma a poder transmitir ao público todo o processo que vai desde o cuidar do olival e apanha da azeitona, até à sua transformação final em azeite.

Fonte do largo da Casa do Povo

Fonte tipo espaldar, construída durante o Estado Novo, utilizando aparência de características simplistas, (vernacular, castiça), nomeadamente ao nível do espaldar em cantaria de linhas curvas. É a mais recente das fontes de Campo Maior, está datada de 1954. À data da visita esta não se encontrava operacional. Possivelmente motivos da seca atual, ou outros que desconheço… (?)

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Palácio de Carvajais

Sobre esta “palácio” não consigo pronunciar-me muito uma vez que se encontra fechado e em obras, existindo afixada num dos gradeamentos placa informativa onde se descreve quais as obras em execução. Foi informado no turismo existirem intenções de ser aberto para visita publica, mas ainda não era conhecida data de possível abertura. O mesmo situa-se no encontro da Rua 1º de Maio com a Rua da Lagoa.

Para além do que se vê na imagem pouco mais se conhece, a intenção de o abrir ao público é recente. A fachada é constituída por doze janelas inferiores e doze sacadas superiores, onde mais uma vez o mármore se encontra presente, à semelhança de outros edifícios por aqui. A entrada principal apresenta um arco de volta perfeita, sobrepujado por um brasão com uma coroa sobreposta. É ladeado por dois “capiteis” com decorações florais e dois “ábacos” de formato retangular, aos quais se sobrepõem quatro semicírculos em forma de abóbada.

Casa do Assento – Museu Aberto (edifício do assento militar)

Situado no Largo do Barata mesmo em frente ao museu do lagar, no edifício que foi outrora o assento militar das provisões de boca, o Museu Aberto dá a conhecer a extraordinária história deste concelho e das suas gentes, desde a pré-história até à atualidade, sem esquecer a permanente ligação a Espanha.

Museu Aberto – Assento Militar (créditos de imagem – blog Campo Maior)

Este foi um grande edifício militar, que tinha como função principal o armazenamento de víveres e de outros produtos destinados a garantir o abastecimento da guarnição da antiga praça militar, permitindo-lhe resistir durante mais de tempo em caso de cerco. Aqui funcionou o mercado municipal durante grande parte do século XX, bem como um espaço de espetáculos e cinema.

Este será eventualmente um dos edifícios mais notáveis desta Vila, talvez o melhor da “Província do Além-Tejo” nas funções para as quais fora construído.

Castelo de Campo Maior e Fortificação Abaluartada

O castelo de Campo Maior é atualmente um local de visita obrigatória para quem passa pela vila. Construído num ponto elevado, próximo dos 300 metros de altitude, é a partir das suas muralhas que o visitante obtém uma perspetiva privilegiada da vila e da paisagem envolvente.

Com eventual fundação islâmica, foi reconstruído durante o reinado de D. Dinis, afirmando-se como memória viva da vila e palco da resistência corajosa dos Campomaiorenses às ameaças dos invasores, tendo permanecido praticamente inalterado até ao século XVII. Foi a partir desta época que o castelo sofreu importantes alterações devido às obras de ampliação, pelo facto da população ter crescido substancialmente em 200 anos, principalmente à conta dos foragidos da inquisição Espanhola, tendo muitos deles fixado residência em Campo Maior

La do alto, a vista estende-se sobre a paisagem acolhedora, dominada pelo casario branco. Ao redor do castelo, a cintura de muralhas da fortificação abaluartada constitui, nos dias de hoje, um testemunho da evolução das necessidades defensivas da zona fronteiriça e dos Campomaiorenses.

Reconstrução de algumas zonas da “cintura” abaluartada

A fortificação foi recentemente alvo de um processo de recuperação, que permitiu restituir-lhe a dignidade de outros tempos, tendo sido necessário recorrer a argamassas especificas e métodos tradicionais para reconstrução de algumas zonas.

Centro Interpretativo da Fortificação

  • História – Com os momentos capitais e personagens icónicas que marcaram esta fortificação e que fazem parte da nossa história e vincaram a identidade campomaiorense.
  • Poliorcética – Para perceber a função estratégica e militar de uma fortaleza de fronteira, mas também o que significava viver num castelo como o de Campo Maior.
  • Património – Devolver à comunidade um espaço que é um dos maiores ativos e de maior potencial turístico de Campo Maior.

O centro Interpretativo tem horários específicos de visita. 10:15h, 11:15h, 14:15h e 15:15h. Terá a companhia de um/a guia durante toda a visita que lhe dará as explicações necessárias.

A visita a este espaço é bastante preenchida, reserve pelo menos uma hora e meia.

Casa Museu Sta. Beatriz da Silva

A Casa Museu de Santa Beatriz, instalada no local onde a própria nasceu (em 1437), é um espaço que pretende ser local de reflexão e evocação da obra, vida e espiritualidade da primeira santa portuguesa, que nasceu em Campo Maior e foi fundadora da ordem da Imaculada Conceição, aprovada pelo Papa Inocêncio VIII em 1489.

Atualmente esta ordem monástica conta com 158 mosteiros em 15 países de 4 continentes, onde as suas monjas dedicam a sua vida a Cristo, em clausura perpétua.

Visitar Ouguela – aldeia histórica

Ouguela é uma aldeia histórica de Campo Maior, que parece ter parado no tempo. É um local onde não há quase nada, para além de ar puro e património histórico, mas com uma bonita paisagem a partir das suas muralhas, que só por si justifica a visita. As suas origens permanecem um pouco incertas. Poderá ter sido um povoado romano e mais tarde transformado em fortaleza islâmica. Seguiu um percurso semelhante a Campo Maior, tendo inclusive recebido foral pelo rei D. Dinis, o mesmo que mandou reedificar o castelo. Chegou a ser sede de concelho, atualmente conta com pouco mais de meia centena de habitantes.

Entrada para Ouguela

É um verdadeiro sentimento de paz de espírito que se sente por aqui. A sua fortificação foi de extrema importância na defesa do território Português, dada a curta distância que se situa da fronteira, cerca de 3 km. É aqui que começam as terras planas banhadas pelo Xévora, Caia e Guadiana.

Interior da Igreja de Ouguela

No interior da muralha existe um aglomerado de casas que serviam de habitação ao governador, oficiais da praça e famílias dos militares. No centro da Praça de Armas existe uma cisterna, podendo ser visitada descendo a escadaria que lhe dá acesso.

Santuário de N. senhora da Enxara

Não muito longe daqui existe o Santuário de N. Senhora da Enxara, um lindo santuário situado na margem esquerda do Rio Xévora.

Visitar o Centro de Ciência do Café

Ao Visitar o Centro de Ciência do Café, ficará a conhecer a história da industria da torrefação do café, desde os tempos do contrabando até aos dias de hoje. Ficará igualmente a conhecer o seu percurso, desde a produção, colheira,… até ao consumidor final.

Neste espaço, pretende-se acima de tudo que o visitante possa percorrer todo o ciclo do grão do café, desde a plantação em terras longínquas, passando pelo transporte, torrefação…, até ser bebido na chávena sob a forma que todos nós conhecemos. Esta é uma visita que recomendo fazer.

Dada a quantidade de conteúdos aqui existente, à semelhança do Centro de Interpretação da Fortificação, este é um espaço para o qual deve reservar tempo semelhante.

Fonte Nova

Esta fonte encontra-se localizada à saída de Campo Maior, na estrada que segue para Degolados (sensivelmente entre o Continente e o Intermarché). É um fontanário de provável edificação quinhentista, que conta com um brasão no seu espaldar, ou frontaria.

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Fonte das Negras

Esta fonte, datada de 1936, terá sido obra do Estado Novo, que também construiu, um pouco mais abaixo, os tanques para lavagem pública das roupas. A Razão deste nome é desconhecida, havendo a possibilidade de estar ligado ao tempo da escravatura (???)

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Fonte da Abertura

Situada na bifurcação entre a Estrada das Poças e o Largo Dr. António Almeida, o lugar desta fonte foi também ponto de encontro de homens que trabalhavam à jorna, nos campos, onde vinham os capatazes escolher os que pretendiam para trabalhar, logo desde cedo. O seu frontispício é decorado por um interessante painel de azulejos, representando um cenário campestre antigo.

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Fonte de S. Francisco

Datada de 1766 esta fonte tem espaldar de alvenaria caiada, com decorações em pedra mármore e ornamentos de linhas curvas, remotamente evocando os formulários barrocos. À semelhança da fonte do largo da Casa do Povo, esta fonte encontra-se igualmente inoperacional, desconhecendo-se o motivo…(?)

Gravado no mármore do espaldar lê-se o seguinte verso:

A Deus tais clamores levantarão

A Deus em altas vozes invocarão

E depois que o seu clamor soou

Pequena fonte em rio se tornou

E copiosas águas transbordavam

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Estátua do Comendador Rui Nabeiro

Filho de uma família humilde, começou a trabalhar desde cedo, por volta dos doze anos. Ajudava a mãe numa pequena mercearia, e o pai e os tios na torra do café, numa época em que se sentiam os efeitos da guerra civil Espanhola, onde a zona raiana era lugar de contrabando.

Foi presidente da câmara municipal de Campo Maior por 4 vezes, tendo desistido nas duas primeiras. Inicialmente por incompatibilidade com resto do coletivo camarário, e na segunda vez por divergências com o governador civil de Portalegre.

Admirar a estátua de Sta. Beatriz da Silva

Santa Beatriz da Silva, primeira fundadora da Ordem da Imaculada Conceição, foi nascida em Campo maior em 1437 e falecida em Toledo (Espanha) em 1492, a sua beatificação deu-se em 26 de Julho de 1926, tendo sido canonizada em 3 de Outubro de 1976. A santa Beatriz foi a primeira santa Portuguesa.

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Mosteiro da Ordem da Imaculada Conceição

Trata-se de um edifício bastante amplo, construído em 1708, cujas dependências se distribuem em torno de um belíssimo claustro. É atualmente habitado pelas Religiosas Concepcionistas de Santa Beatriz da Silva, nascida em Campo Maior em 1437.

Este Mosteiro é um dos três mosteiros existentes em Portugal, da ordem fundada por Santa Beatriz. Recentemente remodelado, é um espaço digno que merece ser visitado, sendo atualmente a casa de uma comunidade vinda de Toledo, que fez questão que a ordem estivesse presente na terra que viu nascer a sua fundadora.

Espaço Arte – Turismo

Instalado na antiga escola básica do 1º ciclo, este é um dos novos espaços culturais de Campo Maior, assumindo-se como um polo de referência no concelho e no Alto Alentejo. Encontra-se situada no centro da vila e está equipada para receber exposições e eventos de variadas áreas. É também onde atualmente se encontra instalado gabinete de Turismo.

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Outros locais de interesse, embora alguns não abertos ao público

  • Ermida de S. Pedro – situada em S. Pedro junto à estrada que conduz a Ouguela
  • Igreja da Misericórdia – Situada no largo da misericórdia em Campo Maior, atualmente não se encontra aberta ao público.
  • Capela de S. Sebastião – situada na fortificação abaluartada
  • Ermida de S. Joãozinho – situada próximo da estrada N373
  • Adega Mayor
  • Albufeira do caia
  • Albufeira do Abrilongo
  • Povoado pré-histórico de Santa Vitória – localizado junto à vila de Campo maior, à saída para Elvas pela N373
  • Fonte da Sra. da Graça, ou fonte de Ouguela

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Jardim municipal de Campo maior

Espaço verde com árvores e bancos, com muitas sombras e um longo passeio em calçada miúda. Um lago com cisnes e bares com bebidas refrescantes, onde nas suas explanadas se pode trocar alguns dedos de conversa acompanhados por uma apetitosa imperial, principalmente nos meses mais quentes de verão. Um espaço iluminado por candeeiros com serões bem vividos ate próximo da meia noite.

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Festas do Povo, ou festa das flores de Campo maior

As Festas do Povo de Campo Maior consistem na decoração das ruas, sobretudo no Centro Histórico, com flores de papel e outros objetos em cartão e papel, feitos pelos residentes de cada rua. São festas que não se realizam ciclicamente, mas quando o Povo entende. Descrever estas festas não é tarefa fácil. Envolve-as um mundo de esforços, de dedicação e de poesia, que se torna difícil descrever ou transmitir. São horas sem conta, roubadas quantas vezes ao justo descanso, que toda a gente de Campo Maior dedica à preparação dessa maravilhosa e inesquecível surpresa, desse admirável e fascinante jardim florido que há-de surgir, como por encanto, ao raiar de uma aurora de Setembro.

No dia 15 de dezembro de 2021, as Festas do Povo de Campo Maior foram classificadas como Património Cultural Imaterial da Humanidade durante a XVI Sessão do Comité Intergovernamental da UNESCO.

(no corrente ano de 2022 as festas do povo não vão realizar-se)


Deambular pelas ruas de Campo maior

Algumas imagens das ruas e outros lugares de Campo Maior

Jardim do museu do lagar de Campo Maior
Pelas ruas de Campo Maior
Igreja Matriz de Campo Maior
Uma rua na zona histórica de Campo Maior

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Operário Fabril no ramo da metalurgia. Apaixonado pela natureza, pelas diversas culturas e por conhecer lugares novos. As viagens são uma forma de investir em conhecimento.

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