Pelas Nacionais do IP3

O Itinerário Principal Nº3 (IP3), como o próprio nome indica, é um dos itinerários principais de Portugal onde a afluência de transito é habitualmente considerável. Faz ligação da cidade portuária da Figueira da Foz com a fronteira a norte, mais precisamente Vila Verde da Raia (perto de Chaves), atravessando os distritos de Coimbra, Viseu e Vila Real. Este itenerário possui uma extensão muito próxima dos 300 km, podendo boa parte ser percorrida por auto-estrada, mas não obrigatoriamente, existem algumas estradas nacionais como opção, que no plano rodoviário nacional de 1985 foram genericamente identificadas como “outras estradas”, e serão essencialmente essas, as que se encontram adjacentes ao IP3, que irei abordar neste artigo.

Por ser um itenerário habitualmente mais conhecido pela circulação de transito, este artigo tem como principal objectivo mostrar outra versão do IP3, a sua vertente turística.

Ao ler este artigo, o leitor(a) apenas o entenda como concluído quando no final do mesmo falar sobre Vila Verde da Raia. Para poder colocar tudo de uma assentada seria necessário percorrer e explorar seguidamente e sem interrupções todo o itenerário, e para tal, sete dias poderiam ser insuficientes, mas o tempo é um bem escasso, como tal, a postagem deste artigo terá de ser faseada…

O ponto de partida teve início no extremo situado na Figueira da Foz, com registo de alguns lugares de visita próximos desta cidade e do inicio deste itenerário. Esta prática será mantida ao longo de todo o percurso, tentando não me afastar mais do que dois ou três quilómetros da sua artéria principal.

Se vier do sul, antes de atravessar o Mondego faça uma visita ao Núcleo Museológico do Sal. Pelo valor simbólico de 1€ ficará a conhecer o processo tradicional salineiro bem como a fauna e flora existentes na periferia, ou se preferir, na Morraceira. Existe guia no local que lhe dará mais informações, tanto sobre as salinas como sobre a avifauna existentes. Recomendo fazer a Rota das Salinas neste lugar, é um percurso pequeno, com grau de dificuldade reduzido, mas muito enriquecedor e agradável de fazer. A meio do percurso, quase de certeza será brindado com uma colónia de Flamingos.

EN111 – Da Figueira da Foz a Adémia (arredores de Coimbra)

Tendo como ponto de partida a Figueira da Foz, a EN111 é a primeira das estradas adjacentes de recurso ao IP3. Se vier do sul, para apanhar esta estrada vai ter de atravessar o Mondego, primeiro na Ponte dos Arcos e logo de seguida na Ponte Edgar Cardoso. Após esta ultima, sai em direcção a Figueira da Foz. Na primeira rotunda sai na segunda saída, na rotunda seguinte repete o mesmo, e a partir daqui segue as indicações que apontam no sentido de Coimbra pela EN111, também conhecida pela Estrada do Baixo Mondego.

À medida que a cidade da Figueira da Foz vai ficando para trás, com ela vai ficando também o cheiro a maresia, começando a partir daqui a ser mais evidente o aroma a eucalipto com resina à mistura, mas não muito, existem outras espécies em grande número pelo meio. Pelos povoados aparecem algumas ligações que atravessam o IP3 e vem até as margens do mondego…, e após alguns quilómetros percorridos, mais precisamente em Caceira de Cima, é quase impossível passar-nos despercebido um edifício que se encontra à direita na saída da população: a Casa da Azenha Velha. Um espaço outrora ligado ao turismo rural que contava com campo de ténis, piscina, picadeiro e pista de obstáculos, restaurante, criação de gado (entre eles, javalis), e uma área de terreno com aproximadamente 8 hectares. Lamentavelmente já desactivado e com sinais claros de degradação. O aspecto aparente de decadência não deixa ninguém indiferente,… ainda é habitado segundo informações locais.

Maiorca (município da Figueira da Foz)

Depois de atravessar a A17, até chegar às portas de Maiorca é um saltinho. Logo à entrada, do lado direito pode usufruir de um parque de merendas com zona de churrasco e uma fonte com água de nascente, inserida num roteiro criado recentemente a que chamaram de Rota das Fontes. Foi inaugurado em Março de 2021 e nasceu através do projecto vencedor do Orçamento Participativo de 2019. Uma centena de metros mais atrás poderá ter avistado uma das primeiras marcações da referida rota.

Logo a seguir ao parque de merendas encontra-se a Casa do Paço de Maiorca, ou Paço dos Viscondes. Foi declarado Imóvel de Interesse Público em Setembro de 1977

A Casa do Paço de Maiorca é um palácio rural, de construção assimétrica e influência barroca na sua arquitectura. É composto por um portal central servido por uma escadaria que lhe dá acesso, e a sua planta é de forma rectangular longitudinal. Neste momento (em Outubro de 2021) encontra-se fechado, por esse motivo a informação que se segue resulta de pesquisas virtuais.

O interior encontra-se ricamente decorado, com destaque para os azulejos de inspiração rococó que se apresentam em algumas das suas salas, e pinturas dos tectos. A sua cozinha é octogonal e de grandes dimensões, com representações de cenas culinárias. De relevo são também a chamada sala de papel e a capela do século XVI, com altar atribuído ao escultor João de Ruão, revestido em talha dourada. No interior da capela, destacam-se ainda as paredes ornamentadas com azulejos da flandres, e frescos.

O palácio encontra-se integrado numa propriedade vasta, com grandes jardins, onde é possível caminhar e desfrutar da natureza, no entanto e à semelhança de outros edifícios públicos, o seu abandono tem permitido que os matagais avancem e se apoderem deste espaço de laser, limitando ou reduzindo consideravelmente as condições de caminhar e de desfrutar da sua pureza.

Em 1999 foi adquirido pela Câmara Municipal da Figueira da Foz com objectivo de o abrir ao público como património cultural, e permitir que pudesse ser visitado por um valor de entrada meramente simbólico. Em 2005 foram iniciadas negociações com investidores privados no sentido de o transformar num hotel de luxo. Actualmente encontra-se fechado. Na altura da visita, nas suas laterais encontravam-se dois grandes placares com o alvará da firma, ou do empreiteiro a quem terá sido adjudicada a obra, mas não é notória a existência de quaisquer obras no edifício.

Paço dos Viscondes

A pouco mais de uma vintena de metros do seu limite…, atravessando a rua, encontra-se um outro edifício não menos imponente, o Palácio do Conselheiro Lopes Branco, também ele fechado e a precisar de obras de restauração. Exteriormente, nos últimos anos foram colocadas janelas novas fazendo parecer estar relativamente bem conservado, no entanto, segundo a população local o seu interior encontra-se muito degradado, e revoltados com o estado em que se encontra o edifício, em jeito de desabafo os populares acusam o município de gastar tudo na Figueira da Foz e em Buarcos, e nas restantes freguesias do município não se investe nada.

À semelhança da Casa do Paço, o Palácio do Conselheiro Lopes Branco encontra-se situado quase no coração da Vila de Maiorca, foi mandado construir pelo próprio conselheiro para residência particular. Diz-se que lhe impôs tamanha volumetria para que não parecesse menor que o vizinho Paço. É actualmente também ele propriedade do Município e classificado de Interesse Municipal desde 2005. 

Após a morte do primeiro inquilino, Conselheiro Lopes Branco, o edifício passou por diversas mãos e outras tantas utilidades. Recebeu uma escola de freiras, um consultório médico, uma creche…, passando a ser propriedade da Câmara Municipal da Figueira da Foz em 1954. Na década de 60 foi a vez da Guarda Nacional Republicana fazer dele o seu aquartelamento.

Todas estas funções a que o edifício esteve sujeito obrigaram a reformas e adaptações que alteraram e degradaram o seu espaço interior.

Palácio Concelheiro Lopes Branco

Apesar de no povoado haver indicações de um miradouro, tal não foi possível encontrar, no entanto sugiro não perder tempo na sua busca, reserve pelo menos meia hora para para caminhar um pouco pelas ruas do povoado e de seguida retome a estrada. Por aqui começam os campos do Mondego, vai atravessar alguns até chegar a Montemor-o-Velho que fica ali pertinho, alguns minutos mais à frente.

Montemor-o-Velho

Ao chegar a Montemor-o-Velho, o seu castelo apresenta-se como principal ponto de visita. Os campos do Mondego continuam à sua direita, principalmente arrozais, milheirais, e os seus habitantes permanentes, as cegonhas.

Apesar de Domingo, a esta data foi possível perceber a existência de alguma azafama por tractores agrícolas de porte considerável e reboque de tamanho condizente na colheita do milho. O castelo, bem cuidado e conservado faz as honras da povoação.

Este castelo terá sido palco de resistência de grande parte da população enquanto as investidas muçulmanas foram ameaça. A configuração actual resulta de várias intervenções espaçadas no tempo. No final do Século XII foi erguido o Alambor, uma base de pedra rampeada que tinha como principal função dificultar o acesso ao inimigo através de torres de assalto, ou encosto de escadas, e reforçar as muralhas dificultando a destruição das mesmas. Tinha também a componente ofensiva, uma vez que os projecteis lançados sobre ele a partir do cimo das muralhas, sendo bem calculados fariam ricochete sobre o inimigo. No século XIV aumentou-se o perímetro da muralha e ergueu-se a barbacã para dificultar a aproximação do inimigo. O Cercado norte veio no seculo XV para dar refugio às populações vizinhas, e no século seguinte foram as obras de remodelação da igreja de Sta. Maria de Alcáçova.

A partir do castelo pode obter uma vista panorâmica ao seu redor, e avistar os campos do Mondego até onde a sua vista alcança, é uma visão soberba, que infelizmente neste dia não foi possível desfrutar devidamente pelo facto do dia se encontrar um pouco “farrusco”.

Em Montemor-o-Velho pode ver também o Centro Náutico, que foi construído para acolher modalidades como por exemplo: canoagem, natação, remo e triatlo. É um espaço que permite desenvolver o alto rendimento desportivo dos atletas a nível nacional, dispondo de infra-estruturas únicas que se revelam de excelência para o treino e competição a nível internacional.

Aqui próximo existe um parque zoológico, se decidir visita-lo reserve pelo menos uma hora e meia para ver tudo. Para tal precisa de atravessar a EN111 para o lado oposto a Montemor-o-Velho, e logo de seguida cortar à direita. Após a subida terá uma vista sobre Montemor e sobre os campos do Mondego tão boa quanto a vista que se obtém a partir do castelo.

Após visita aos lugares de maior relevo turístico não deixe de caminhar um pouco pelas ruas da zona mais antiga, acredito que vai gostar das fachadas e do casario de algumas das suas ruas. Recomendo estacionar junto ao parque municipal da juventude, tudo o resto ficará por ali pertinho, inclusive a praça dos paços do concelho.

Edifício dos Paços do Concelho

Se pretender almoçar por aqui não precisa deslocar-se no carro, tem alguns restaurantes próximos com gastronomia muito boa. Se por outro lado prefere um almoço tipo pic-nic, aqui perto, do lado oposto ao parque desportivo, tem um parque de merendas com sombra onde poderá faze-lo tranquilamente.

Retomando a EN111, no centro de uma rotunda à saída de Montemor existe uma estátua com forma um pouco curiosa para quem vê de passagem, é uma homenagem a Inês de Castro. Esta escultura foi classificada por entendidos na arte como “uma das melhores esculturas públicas da última geração realizadas em Portugal.” Foi executada em pedra de moleanos, esculpida no próprio lugar e mede cerca de 7 metros de altura.

(post em edição…)

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